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terça-feira, 4 de agosto de 2026

SENHOR


“Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Sl 110.1).

O Salmo 110 é fortemente messiânico. Ele é até mesmo citado pelo próprio Jesus em um de seus debates com os judeus para mostrar sua superioridade sobre Davi (Mt 22.41-46). Começa afirmando a paridade entre Yahweh e o Messias, colocados lado a lado, assentados no mesmo trono. Sabemos que, no Antigo Testamento, quando a palavra SENHOR é grafada dessa maneira, com todas as letras maiúsculas, indica que o tradutor está mostrando que na língua original estão as quatro consoantes hebraicas que formam o nome de Deus, cuja vocalização possivelmente seja Yahweh. No verso primeiro do salmo em questão, depois de se referir a Deus por seu nome, Davi se dirige a outra pessoa chamando-a de Adonai, que significa "dono", "proprietário". Assim, Davi teria dito: "Disse Yahweh ao meu dono: assenta-te à minha direita...". Claramente, o que o rei está mostrando é o compromisso de Yahweh com a vitória do Messias. O assentar-se à direita significa lugar de honra e domínio, isto é, o Messias reinando assentado no trono junto a Yahweh.

É interessante notar como Deus declara e promete ao Messias vitória absoluta sobre seus inimigos. Apresentado como rei, ele deverá conquistar todas as nações para governá-las. É isso o que se entende com a ordem: “Domina sobre teus inimigos” (v. 2). Todas se apresentam como "inimigas", pois o ser humano está naturalmente em revolta contra o Criador. Nenhum pecador se submete voluntariamente ao governo de Deus ou de seu Messias. Mesmo o maior dos altruístas nas causas humanitárias e sociais é alguém que serve a si mesmo e vive para sua própria glória.

Recentemente, aprendi algo muito precioso. Um casal com dois filhos pequenos me ofereceu balas para comprar a fim de os ajudar. Claramente tratava-se de moradores de rua. Instantaneamente disse “não”, pois tenho por princípio a prática bíblica de não ajudar pessoas saudáveis. No entanto, pensando nas crianças, voltei e lhes dei o suficiente para que todos comessem e me retirei. Depois de uns dois minutos, fiquei chocado comigo mesmo: não falei de Jesus para eles! Então entendi que, quando ajudamos alguém sem falar de Cristo, a glória é nossa. Eu é que estou em evidência. Quando falo de Jesus, transfiro a atenção para quem de direito, rendendo toda glória a ele.

Algo que geralmente escapa aos olhos do crente é aquilo que o Cristo vem fazer. É certo que fomos comprados no sangue de Jesus, comprados por Deus dele mesmo, quando a dívida de morte que tínhamos foi paga. Pertencemos a ele. Devido a isso, geralmente pensamos que estamos trabalhando para Jesus como seus servos e a causa é dele. Certamente, tudo isso é certo. No entanto, o que precisamos compreender é que a causa dele é, antes de mais nada, a nossa causa. Tudo é dele, ocorre por meio dele, e visa a glória dele, é verdade. Porém, o que é que Jesus vem fazer nesta terra? Ele precisava disso? O que ele vem fazer é no salvar e resgatar o reino perdido pelos homens, tornando-se um homem também, para fazer aquilo que nós não podemos fazer.

Servir a Jesus é o melhor bem que podemos fazer a nós mesmos! É promover o avanço do reino e a consolidação de todo o propósito de Deus em Jesus! Uma das maiores contradições do crente hodierno é não amar a Igreja pela qual Cristo morreu, que é ele mesmo. O crente é a Igreja! Amar a Cristo, servi-lo e dedicar-se a ele é promover a própria Igreja, a expansão de seu reino sobre a terra. Isso pode ser visto pela alegria e prosperidade do povo associada à vitória do Messias. No “dia do poder” do Adonai, o povo se apresentará para reconhecer sua glória em grande festa, em meio a grande prosperidade (v. 3).

A vitória de Jesus como o Cristo, o ungido de Deus, é garantida pela própria promessa juramentada de Deus (v. 4). Além de rei, o Messias é também sacerdote, não segundo ordens humanas, mas aquela que não tem começo nem fim, na eternidade de Deus. Os sacerdotes levitas tinham turnos e tempo determinado para o exercício do ofício, exercendo o ministério em tabernáculo feito por mãos humanas entre pecadores. O sacerdócio do Messias não passa, nem é sucedido por alguém, oficiando em tabernáculo celestial, na presença do próprio Deus. Ele é como Melquiseque: profeta, sacerdote e rei. Todavia, depois do reinado, o ofício que se destaca é o sacerdócio, pois enfatiza o contato do homem com Deus. Em Jesus, o Éden é consumado. Este, que era o lugar de encontro do homem com o Criador, é eternamente garantido no encontro das duas naturezas de Cristo. Deus e o homem se encontram para sempre em Jesus. O homem jamais estará afastado de seu Criador no momento que o Criador também se torna criatura, assumindo forma humana.

Em estilo veterotestamentário, quando o povo travava suas guerras sangrentas, a vitória do Messias é descrita de forma tão cabal e definitiva que assume contornos de algo aterrador, verdadeiro massacre (vs. 5, 6). Seu governo é juízo sobre toda a terra. O rei, nas Escrituras, é o que julga. O governo é mormente judiciário. Deus deu a lei ao homem. Cabe a este cumprir. O que faz o Messias é se assentar no trono de Yahweh para julgar. Sua vitória, de tão certa e segura, é antecipada figuradamente, mostrando o Rei dos reis andando de cabeça erguida, bebendo da torrente (v. 7).

Amemos a igreja pela qual Cristo morreu. Olhemos para a obra realizado por Jesus como algo feito para a glória de Deus, mas que nos inclui, que implica nossa salvação e bênção eternas. Compreendamos assim que servir a Jesus significa trabalhar para o nosso próprio bem, a consolidação da Igreja que é seu corpo. Dedique-se ao reino com alegria, como atitude de adoração, lembrando que, embora tudo o que Jesus realizou vise a glória de Deus, tem como beneficiários cada um dos eleitos, a Igreja. A vitória de Cristo é a nossa vitória. Deus não ganha nada! Tenha um abençoado e dedicado dia na presença de Jesus 

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