“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencreia, para que a recebais no senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive” (Rm 16.1,2).
Cada vez mais, os crentes de nossos dias se tornaram contemplativos, quase passivos. Desenvolveu-se a ideia de que a igreja existe para servir o salvo. Na verdade, muitas das chamadas “igrejas” de hoje adotaram a norma: o cliente tem sempre razão. Motivadas por fazer permanecer seus membros a qualquer custo, suas lideranças se desdobram para agradar todo mundo. O resultado é a substituição da fidelidade a Deus pelo agrado do homem, comportamento diametralmente oposto àquele adotado pelos apóstolos diante dos judeus: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Nosso compromisso é com as Escrituras acima de tudo, não com a vontade dos homens, quer seja a do outro, quer seja a minha.
Igreja é lugar de serviço! Mas, entendamos bem: não implica mero ativismo. O crente não é aquele que simplesmente assume uma rotina de trabalho ininterrupta nos interesses do reino, como se isso pudesse fortalecê-lo espiritualmente. É verdade que, muitas vezes, o serviço prestado para Deus resulta edificação e fortalecimento. Contudo, o objetivo do meu esforço em qualquer obra do reino não pode ser o crescimento espiritual pessoal, mas o suprimento de uma demanda, de uma necessidade do trabalho na causa de Cristo. Por isso, não raro, aqueles que se dedicam ao reino acabam por se ver esgotados, extenuados, especialmente diante das agruras e das muitas dificuldades enfrentadas.
Daí a necessidade de trabalhar para o Senhor dando tudo e o melhor de nós, mas sem jamais descuidar da devoção pessoal. Alimentados espiritual e diariamente no Santo Espírito de Deus jamais seremos abalados. Quando pensamos na existência e implementação das igrejas do Novo Testamento, geralmente pensamos especialmente na sua implantação pelos apóstolos e seus colaboradores, estabelecendo na sequência uma liderança constituída por presbíteros e diáconos, responsáveis por mantê-las e operá-las. Certamente, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres, presbíteros e diáconos, isto é, todos os ofícios do Novo Testamento, foram servos usados pelo Senhor dentro de suas funções como instrumentos em suas santas mãos.
Todavia, houve um número incontável de irmãos, heróis desconhecidos e até anônimos, que investiram suas vidas na propagação do evangelho de nosso Senhor. O texto epigrafado traz o nome de Febe, única vez que seu nome é citado nas Escrituras. Pelas poucas linhas contidas a seu respeito, percebemos que era uma irmã operosa, que realizava importantíssimo serviço no reino. Ela é até designada por seu “serviço”. Era pessoa tão dedicada e atuante na igreja local que era reconhecida por aquilo que fazia para Deus. Sua dedicação era tamanha que, aparentemente, se tornou ajudadora de Paulo. Fica claro no texto que o apóstolo a está enviando à sua frente para Roma. Quando escreve sua carta à igreja daquela cidade, Paulo anuncia sua clara intenção de ir em seguida para lá.
No entanto, haveria de passar por Jerusalém antes, pois sentia arder em seu coração a responsabilidade de falar ao seu próprio povo. Sabemos que, de fato, o apóstolo foi à capital do Império depois que passou por Jerusalém, mas preso. Não sabemos exatamente qual era o trabalho de Febe ou se ia por motivos pessoais. O que fica explícito é a recomendação apostólica de sua pessoa, como fiel a Cristo e auxiliadora de muitos irmãos, incluindo Paulo. A descrição de seu trabalho sugere que servia na assistência de irmãos. Era comum na Igreja Primitiva mulheres cristãs piedosas se dedicarem a obras assistenciais, como era o caso de Dorcas, a única mulher chamada “discípula” nas Escrituras (At 9.36ss).
Quando você pensa em sua vida de serviço a Deus, será que a percebe digna de recomendação? O que se diria a seu respeito? O que se destaca em seu serviço a Jesus que sirva como “cartão de visita”? Precisamos reassumir a vida piedosa e atuante, a devoção que resulta trabalho, agindo com bondade e empenho, mostrando o amor de Cristo àqueles que nos rodeiam. O verdadeiro evangelho não consiste apenas de palavras, mas também de obras que ilustrem o seu real conteúdo. Trabalhar para quem se ama é prazer e alegria. Que o nosso trabalho seja a prova constante de nosso amor e de nossa devoção para com nosso Senhor. Tenha um abençoado dia da presença de Jesus
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