A Bíblia conta-nos que, quando Deus libertou Israel do Egipto, o povo começou a sentir saudades daquilo que havia deixado para trás. Em Números 11:4-6, os israelitas chegaram a recordar com nostalgia os alimentos que comiam no Egipto, esquecendo-se de que, naquele mesmo lugar, haviam sido escravizados, humilhados e oprimidos.
Pare de sentir saudades daquilo que um dia quase destruiu a tua paz. Nem toda porta fechada representa uma perda; algumas são manifestações do amor de Deus, impedindo-te de regressar aos lugares dos quais Ele precisou de te resgatar.
Que contradição! Sentiam saudades da comida, mas esqueciam-se das correntes. Recordavam os prazeres, mas ignoravam as dores.
É assim que, por vezes, a nossa memória nos engana: faz-nos recordar os poucos momentos bons de lugares onde vivemos os nossos maiores sofrimentos.
Não permitas que a saudade te faça desejar novamente aquilo de que, um dia, pediste a Deus, em lágrimas, para te libertar.
Em Génesis 19:26, a mulher de Ló olhou para trás enquanto fugia de Sodoma e tornou-se numa estátua de sal. O problema não foi simplesmente olhar para trás, mas desobedecer à ordem divina de não o fazer (Génesis 19:17).
Há momentos em que olhar para trás deixa de ser uma recordação e passa a ser uma resistência ao futuro que Deus preparou.
Lembra-te: nem tudo o que deixaste para trás merece uma segunda oportunidade. Há coisas que Deus não retirou da tua vida para te castigar, mas para te preservar.
Nem sempre o caminho de Deus é confortável, mas permanecer na Sua vontade é mais seguro do que regressar àquilo de que Ele te libertou.
Não romantizes aquilo que um dia te fez sofrer. Não confundas familiaridade com segurança, nem saudade com direcção divina.
O apóstolo Paulo declarou:
«Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo.» — Filipenses 3:13-14.
Aprende esta lição: nem tudo o que perdeste era para permanecer contigo, nem tudo o que terminou precisa de recomeçar.
Às vezes, a maior prova de que Deus ouviu a tua oração é a porta que Ele não permite que voltes a abrir.
E, quando Deus te conduz para fora de um lugar, não transformes a saudade numa desculpa para regressar.
Porque há libertações que só se tornam completas quando deixamos de desejar aquilo que nos mantinha presos.
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