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sábado, 17 de outubro de 2026

HOMENS

 A maioria dos crimes é cometida por homens. Mas isso significa que a maioria dos homens é criminosa? Evidentemente, não. Essa confusão, tão explorada em discursos feministas, transforma os crimes de uma minoria em uma condenação de todo o sexo masculino.


O Brasil possui aproximadamente 100 milhões de homens e cerca de 961 mil pessoas encarceradas, incluindo mulheres. Mais de 99% dos homens sequer integram o sistema prisional. Isso não significa que todos jamais cometeram delitos, mas mostra o absurdo de associar masculinidade à criminalidade. São milhões de homens que trabalham, sustentam famílias, constroem cidades e mantêm a sociedade funcionando. Curiosamente, a mesma sociedade que depende deles passou a tratar suas características masculinas como algo que precisa ser desconstruído.


Afinal, a quem serve uma ideologia que precisa desconstruir o homem para afirmar a mulher? Quando o feminismo passa a tratar força, liderança, competitividade e autoridade como sinais de opressão, a busca pela igualdade dá lugar a uma disputa por poder. O homem se torna um potencial agressor, e a mulher é estimulada a enxergá-lo como adversário. A cooperação dá lugar à desconfiança, enquanto diferenças naturais ou individuais passam a ser interpretadas como desigualdades que precisam ser combatidas.


Essa visão também ignora um aspecto fundamental da realidade brasileira: a violência não é apenas um problema de gênero, mas um problema social e cultural. Em 2025, o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais. Desse total, 90,8% das vítimas eram homens, aproximadamente 37 mil mortos. No mesmo período, foram registrados 1.571 feminicídios.


Mas existe uma pergunta pouco discutida: quantos desses homens foram mortos por mulheres?


Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, entre os casos com autoria identificada, 4,8% tiveram autoria exclusivamente feminina e outros 4% envolveram autoria múltipla. Aplicando esses percentuais ao total de vítimas masculinas, seriam aproximadamente 1.777 mortes de autoria exclusivamente feminina e 1.481 de autoria múltipla, somando 3.258 ocorrências.


Esses números são projeções, não registros absolutos confirmados, pois o levantamento não apresenta o total de casos com autoria identificada nem esclarece a participação feminina nos casos de autoria múltipla. Mas a pergunta continua: se existem dados para calcular os percentuais, por que não publicar também os números absolutos?


Essa seletividade também merece atenção nas políticas públicas. A proteção de vítimas é necessária, mas não pode significar o enfraquecimento das garantias individuais de outras pessoas. Direitos não deveriam se transformar em vantagens jurídicas permanentes de um sexo sobre o outro. Quando a proteção se torna unilateral, a Justiça corre o risco de criar novas desigualdades enquanto pretende combater as antigas.


O problema das falsas denúncias mostra outra fragilidade. O Brasil sequer possui um levantamento nacional consolidado sobre acusações comprovadamente fraudulentas de violência doméstica. Ao mesmo tempo, a Lei nº 14.550/2023 permite a concessão de medidas protetivas urgentes sem necessidade de inquérito policial ou boletim de ocorrência, mediante análise inicial do risco. A proteção antecipada pode ser necessária, mas também exige mecanismos eficazes contra abusos. Uma acusação deliberadamente falsa pode destruir reputações, afastar famílias e comprometer a vida de alguém antes mesmo de uma apuração definitiva.


O que acontece com uma sociedade quando o sexo passa a influenciar quem merece confiança e quem deve ser visto com suspeita? Políticas públicas orientadas por visões unilaterais podem acabar substituindo a igualdade jurídica por uma distribuição desigual de direitos, presunções e responsabilidades.


A contradição se aprofunda quando a emancipação feminina passa a ser confundida com a necessidade de ocupar o lugar masculino na sociedade. Em vez de reconhecer homens e mulheres como indivíduos capazes de cooperar e se complementar, determinadas correntes ideológicas transformam suas diferenças em uma disputa permanente. Nesse processo, não se questiona apenas a masculinidade. A própria feminilidade é desvalorizada quando maternidade, cuidado e dedicação familiar passam a ser vistos como sinais de submissão, enquanto a realização feminina é medida pela aproximação com padrões tradicionalmente masculinos.


Essa lógica tem consequências que ultrapassam o debate ideológico. Relações construídas sobre competição e desconfiança tendem a enfraquecer a reciprocidade, comprometer vínculos familiares e dificultar a formação de ambientes estáveis para os filhos. Quando tudo se transforma em disputa por autoridade, até a convivência cotidiana passa a ser interpretada como uma relação de poder.


Mas existe uma questão ainda mais profunda: a quem interessa uma sociedade em que homens e mulheres deixam de se reconhecer como parceiros e passam a se enxergar como adversários? A polarização cria espaço para movimentos que dependem da permanência do conflito para justificar sua influência. Quanto maior a divisão, maior a possibilidade de mobilizar pessoas pelo medo, pelo ressentimento e pela promessa de proteção.


O paradoxo é que uma ideologia que promete libertar indivíduos pode acabar condicionando suas escolhas a uma identidade coletiva, estabelecendo como devem pensar, agir e interpretar seus próprios relacionamentos. Nesse cenário, a liberdade deixa de ser a capacidade de escolher o próprio caminho e passa a significar a obrigação de aderir a determinada visão de mundo. Uma liberdade contraditória e profundamente hipócrita, na qual o indivíduo só é considerado livre quando suas escolhas correspondem ao que a ideologia permite.


O chamado empoderamento feminino torna-se, assim, uma liberdade condicionada: a mulher pode ser o que quiser, desde que aquilo que ela queira esteja dentro dos limites e das regras estabelecidas pelo próprio feminismo.

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