Cântico dos Cânticos 1:6
Existe uma forma de perder a própria vida sem deixar de trabalhar. Basta gastar todas as forças construindo aquilo que pertence aos outros e não ter tempo para cuidar daquilo que Deus confiou a você.
No primeiro capítulo de Cântico dos Cânticos, a sulamita revela que seus irmãos a colocaram para trabalhar nas vinhas. Enquanto cuidava de propriedades alheias, a sua própria vinha ficou sem o cuidado necessário. O sol queimou sua pele, o trabalho consumiu suas forças e aquilo que lhe pertencia ficou para trás.
A vinha exigia dedicação. Precisava ser cultivada, protegida e vigiada. Não bastava ser dona dela. Era necessário cuidar.
Essa é uma das contradições mais dolorosas da vida. Você pode ser responsável pelo crescimento de tantas pessoas e, ainda assim, assistir ao abandono da própria história.
Há gente construindo empresas para os outros, sustentando ministérios, realizando projetos e resolvendo problemas que não são seus. Todos desfrutam dos resultados, mas poucos conhecem o preço que essa pessoa pagou.
O mais assustador é que, às vezes, você se torna tão necessário na vinha alheia que se esquece de que também possui uma.
Você ajuda os outros a realizarem sonhos, enquanto os seus envelhecem na gaveta. Investe tempo no futuro de outras pessoas, mas adia continuamente aquilo que deveria construir. Quando percebe, tornou-se especialista em fazer os outros florescerem, mas já não sabe o que fazer com a própria terra.
Nem toda demanda é uma missão. Nem toda necessidade alheia é uma responsabilidade sua. E nem toda porta aberta merece o seu tempo.
Servir é importante. Abandonar aquilo que lhe foi confiado para viver exclusivamente em função dos outros é outra coisa.
Sua vinha também precisa de você. Seu casamento, sua família, seu ministério, sua empresa e seus projetos não florescerão apenas com boas intenções. Aquilo que não recebe cuidado acaba perdendo espaço para os espinhos.
Porque, no fim, não adianta ser a razão pela qual tantas vinhas floresceram e descobrir que a sua própria ficou abandonada.
Enquanto você cuida da vinha dos outros, quem está cuidando da sua?
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