O BANQUETE PARA OS INIMIGOS
Os homens que saíram para prender Eliseu terminaram comendo à mesa em Samaria. Em 2 Reis 6, o rei da Síria envia tropas para capturar o profeta. Durante a noite, cercam Dotã com cavalos e carros de guerra. Mas o Senhor os fere de cegueira, conforme a oração de Eliseu, e o próprio homem que procuravam os conduz até Samaria. Quando seus olhos são abertos, estão dentro da cidade, diante do rei de Israel. A situação havia se invertido. Agora estavam vulneráveis nas mãos daqueles contra quem tinham vindo. O rei pergunta a Eliseu: “Devo matá-los? Devo matá-los?” A resposta do profeta interrompe aquela possibilidade: não deveriam ser mortos. Deveriam receber pão e água, comer, beber e voltar para seu senhor. Então o rei prepara um grande banquete. É preciso parar nessa cena. A perseguição havia sido real. Aqueles homens não tinham chegado em paz. Ainda assim, quando ficaram indefesos, Eliseu impediu que fossem executados. O livramento que recebeu não se tornou uma oportunidade para satisfazer a vingança. O profeta que havia pedido a Deus proteção também determinou que seus perseguidores fossem alimentados. Essa passagem alcança um lugar difícil do coração: o momento em que podemos fazer alguém pagar. Quando a pessoa perde a força, quando sua vergonha se torna pública, quando temos nas mãos uma informação capaz de feri-la. Podemos chamar de justiça aquilo que, no íntimo, desejamos usar para devolver a dor. Mas a fraqueza do outro também revela quem nós somos. Eliseu não negou a ameaça que havia sofrido. Apenas não permitiu que aqueles homens fossem mortos porque agora estavam ao alcance do rei. Eles comeram, beberam e foram mandados de volta. A mesa não declarou inocente a intenção com que chegaram; mostrou que a resposta àquela hostilidade não precisava ser a execução. Há uma vitória profunda em ser livre da mão de quem nos persegue e também do desejo de vê-lo destruído. O Senhor guardou a vida de Eliseu. E Eliseu não tratou a vida dos seus inimigos como algo sem valor.
2 Reis 6:13–23.
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