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domingo, 14 de janeiro de 2024

ESCREVER

 Poderia ser uma placa de argila, de pedra, de alguma rocha vulcânica, de cerâmica.


Pode ser um pedaço de vaso quebrado ou de uma pele seca de ovelha ou um pergaminho qualquer.


Mas o velho Zacarias pediu mesmo foi uma tabuinha, aquele pedacinho de madeira coberto com cera.


Deram-lhe não só a dita tabuinha mas também um instrumento pontiagudo, porque o 'jovem' pai queria escrever alguma coisa. 


Zacarias não era um surdo-mudo.


Era apenas lama. Não sei nada, mas ouvia tudo. E ele ouviu que a vizinhança e a parentada toda queria dar o nome de Zacarias Júnior ao recém-nascido, o que não poderia acontecer porque, nove meses antes, o arcanjo Gabriel lhe havia dito: “Sua esposa vai ter um filho e você porá nele o nome de João” (Lc 1.13). Mesmo sendo muito velho, Zacarias tinha boa memória e sabia que a determinação do nome procedia de Deus. E não queria pecar outra vez: por ter duvidado do milagre, ficara lama. Então, segurou a tabuinha e a 'caneta' e escreveu: “O nome dele é João” (Lc 1.63). Nesse preciso momento, a mudez bateu as asas!

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