"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" 1 Pedro 2:9
Somos chamados a crer e, no mesmo movimento, enviados a partilhar a nossa fé. A comunicação do evangelho é, assim, um chamado de Deus para todos os salvos em Cristo Jesus.
Há uma significativa correlação entre quem somos em Cristo Jesus (nossa identidade) e o que somos chamados a fazer (nossa missão). O apóstolo Pedro relacionou identidade e missão ao afirmar que somos “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” com um propósito: “a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9).
O Senhor Jesus fez o mesmo ao declarar que somos sal da terra e luz do mundo, alertando-nos que nossa identidade (sal e luz) deve estar associada à nossa missão, sob o risco de nos tornarmos um sal sem sabor e uma luz que não brilha. Ele conclui com uma ordem: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16).
Entretanto, se anunciar o evangelho é um dos nossos maiores privilégios, é também um dos maiores desafios. Há graves barreiras à evangelização. A primeira é a má compreensão da natureza do evangelho. Sob a influência liberal na segunda metade do século passado, o evangelho foi relido a partir de lentes mais sociológicas do que teológicas. Uma das nocivas consequências, foi igualar o evangelho à igreja e, assim, evangelizar tornou-se proclamar a igreja, os redimidos; e não Cristo, o Redentor. Passou-se a falar mais dos cristãos e menos de Cristo; apresentar mais a obra da igreja do que a obra de Cristo; exaltar mais os heróis da igreja do que o Nome acima de todo nome; levantar mais alto a bandeira eclesiástica do que a bandeira do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
A segunda barreira à evangelização é a falta de santidade. No Salmo 51, o salmista clama a Deus para que tenha misericórdia e apague as suas transgressões. Pede para ser lavado da iniquidade e purificado do seu pecado. Confessa que pecou e que crê no perdão, que limpa e purifica, santificando a vida. No auge do seu clamor, ele pede que Deus lhe dê um coração puro e suplica que seja mantido na presença do Senhor, sendo restituída a alegria da salvação. Logo depois, afirma uma das consequências da santidade: “Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (v.13). A santidade nos impulsiona a priorizar o que é prioridade para Deus, tornando a nossa vida um testemunho vivo e perceptível da mensagem que é falada.
A terceira barreira à evangelização é a timidez espiritual. Curiosamente, a falta de audácia na evangelização não está ligada ao tipo de temperamento ou perfil pessoal. Devemos ser lembrados que nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades. A batalha não é essencialmente travada contra estruturas políticas, sistemas sociais ou limitações humanas, mas contra o maligno. Perante a fragilidade do nosso coração, a astúcia do mundo e as forças espirituais do mal, precisamos de audácia para viver e pregar o evangelho. Oremos, e Ele nos dará!
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