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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

FE

 

A fé que temos na sabedoria de Deus pressupõe e requer que Ele tenha um propósito e um plano preordenados na obra da salvação. O que a criação teria sido sem Seu projeto? Será que existe algum peixe no mar, alguma ave no céu, que tenha surgido por acaso? Não, pelo contrário, em cada osso, junta, músculo, tendão, glândula e vaso sanguíneo podemos observar a presença de um Deus que faz tudo conforme os desígnios da Sua infinita sabedoria. E será que Deus está presente na criação, governando sobre todas as coisas, mas não na graça? Será que a nova criação é presidida pelo espírito caprichoso do livre arbítrio enquanto a antiga é governada pelo conselho divino? Pense na Providência! Quem não sabe que um pardal não cai no chão sem o consentimento do Pai? Até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Deus pesa os montes da nossa preocupação em balança e as colinas da nossa tribulação nos seus pratos (Isaías 40.12). E será que há um Deus na providência, mas não na graça? Será que a concha veio à existência pela sabedoria e o grão pelo acaso? Não! Ele sabe o final desde o início. Ele vê no lugar designado não apenas a pedra angular que Ele assentou com argamassa colorida, no sangue do Seu Filho amado, mas Ele contempla na posição ordenada cada pedra escolhida e extraída da pedreira da natureza e polida pela Sua graça; Ele vê o todo, da extremidade à cornija, do piso ao teto, da fundação ao pináculo. Ele tem em mente um claro conhecimento de cada pedra que será assentada no espaço devido e de como será grande o edifício, quando a pedra de remate for trazida em meios a aclamações de “Graça! Graça! Para ela” (Zacarias 4.7). No final, será claramente visto que, em cada vaso de misericórdia escolhido, Jeová fez o que desejava com os Seus; e que em cada parte da obra da graça Ele realizou o Seu propósito e glorificou o Seu próprio nome.


as tuas pegadas destilam fartura - Salmo 65.11


Muitas são “as pegadas do Senhor” que “destilam fartura”, mas uma, em especial, é a da oração. Nenhum crente, cujo tempo é gasto em seu quarto (Mateus 6.6), terá necessidade de gritar: “Definho, definho, ai de mim!” (Isaías 24.16). As almas famintas vivem longe do propiciatório e se tornam como campos secos na época da estiagem. A persistência com Deus em oração, com certeza, torna o crente mais forte — se não mais feliz. A coisa mais próxima da porta dos céus é o trono da graça celestial. Passe muito tempo a sós com Jesus e você terá muita segurança; passe pouco tempo com Ele, e sua religião será superficial, cheia de dúvidas e medos, sem o brilho da alegria do Senhor. Tendo em vista que o caminho da oração, o qual enriquece a alma, está aberto até para o cristão mais fraco; que não são necessárias grandes conquistas; e que você não é convidado a vir porque é um super crente, mas tem livre acesso se for realmente crente; cuide, caro leitor, para que você esteja sempre no caminho da devoção particular. Dobre seus joelhos, pois foi assim que Elias trouxe chuva sobre os campos famintos de Israel.

Há também outra pegada especial que destila fartura para aqueles que andam nela, a caminhada secreta da comunhão. Ah! As delícias da intimidade com Jesus! A terra não tem palavras para descrever a serenidade de uma alma reclinada sobre o Seu peito. Poucos cristãos a compreendem; eles vivem nas terras baixas e raramente escalam até o topo do monte Nebo: vivem no pátio externo, não entram no Santo Lugar, não abraçam o privilégio do sacerdócio. Observam o sacrifício à distância, mas não se sentam com o sacerdote para comê-lo e se deleitar com a gordura da oferta queimada. Mas tu, leitor, assenta-te sempre à sombra de Jesus; aproxima-te da palmeira e apanha seus ramos; que o teu Amado seja para ti como a macieira entre as árvores do bosque; e tu te fartarás de banha e de gordura (Salmo 63.5). Ó Jesus, visita-nos com a tua salvação!


Esteve ela apanhando naquele campo até à tarde. - Rute 2.17.


Vamos aprender com Rute, a apanhadora de espigas. Assim como ela saiu para colher espigas, devo ir aos campos de oração, meditação e ordenanças para ouvir a palavra e colher o alimento espiritual. Ela recolhe suas espigas uma a uma, seu ganho vem aos poucos: portanto, preciso me contentar em buscar verdades únicas, se não houver mais abundância delas. Cada espiga ajuda a fazer um molho, e cada lição do evangelho nos torna um pouco mais sábios para a salvação. Ela mantém os olhos abertos: se ela se distraísse e tropeçasse nos restolhos, não teria nada para alegremente levar pra casa no final do dia. Preciso estar atento às práticas religiosas para que elas não se tornem inúteis para mim; receio já ter perdido muita coisa — que eu possa avaliar corretamente minhas oportunidades e colher com mais diligência. Ela se inclina para pegar tudo o que encontra, e devo fazer o mesmo. Os entusiastas fazem críticas e objeções, mas as mentes humildes recolhem e recebem os benefícios. Um coração humilde é de grande auxílio para ouvir o evangelho de forma proveitosa. A penetrante palavra que salva almas não pode ser recebida sem humildade. Um corpo rígido produz um mau colhedor; fora, soberba, tu és uma vil assaltante para seres aturada sequer por um instante. Ela retém aquilo que apanha: se ela soltasse uma espiga para pegar outra, o resultado do seu dia de trabalho seria bem escasso; por isso ela é muito cuidadosa, mantendo tudo quanto apanha, e no final o resultado é excelente. Com frequência, eu me esqueço de tudo o que ouço. Uma verdade empurra a outra para fora da minha cabeça e, por isso, o que leio e o que ouço resulta em muito barulho por nada!* Será que sinto realmente a importância de guardar a verdade? O estômago vazio torna da apanhadora de espigas mais sábia; se não há espiga na mão, não haverá pão na mesa; ela trabalha sob o senso da necessidade, por isso, seus pés são ágeis e suas mãos são firmes. Tenho uma necessidade ainda maior, Senhor, ajuda-me a senti-la, para que ela possa me levar aos campos que produzem abundante recompensa à diligência.


Os retos te amam - Cantares 1.4 (Almeida Corrigida, Fiel)

Aqueles que creem em Jesus O amam com muito mais intensidade do que ousam amar a qualquer outro ser. Eles preferem perder pai e mãe a se separarem de Cristo. Seguram todos os luxos terrenos com mão frouxa, mas O carregam firmemente junto ao peito. Por amor a Ele, voluntariamente negam a si mesmos, mas nunca são levados a negá-lO. Um amor limitado pode ser consumido pelo fogo da perseguição; mas o amor do verdadeiro crente é muito mais forte do que isso. Ao longo dos anos, muitos têm se esforçado para separar os fiéis do seu Mestre, mas suas tentativas têm sido em vão. Assim como um nó górdio, nem coroas de glória, nem expressões de ira podem desatar este amor. Esta não é uma união comum, que o poder do mundo pode de alguma forma dissolver. Nem o homem nem o diabo encontraram a chave para abrir tal fechadura. Nunca a astúcia de Satanás foi tanta como quando ele tentou destruir o vínculo desses dois corações divinamente atados. Está escrito, e nada pode apagar a frase: Os retos te amam. A intensidade do amor dos retos, no entanto, não deve ser julgada pelo que parece ser, mas por aquilo que eles anseiam. É nosso lamento diário que não possamos amar o suficiente. Gostaria que nosso coração fosse capaz de amar mais e ir mais longe. Como Samuel Rutherford, suspiramos e clamamos: “Ah, por todo amor que há ao redor da terra e sobre o céu, sim, o céu dos céus e milhares de mundos — que eu lance tudo somente, somente, somente e unicamente em Cristo”. Mas, infelizmente, o alcance do nosso amor é pequeno demais, e a nossa afeição é apenas uma gota num imenso deserto. Que o nosso amor seja como as nossas intenções, e ele será realmente elevado: pois, cremos que o Senhor o julgará. Oh, que possamos dar todo o amor do nosso coração, todos os nossos amores, Àquele que é totalmente desejável!

 


O Cordeiro é a sua lâmpada - Apocalipse 21.23


Com calma, pense no Cordeiro como a luz do céu. A luz, na Escritura, é símbolo de alegria. No céu, a alegria dos santos se resume a isto: Jesus nos escolheu, nos amou, nos comprou, nos purificou, nos vestiu, nos guardou e nos glorificou: estamos aqui inteiramente pelos méritos do Senhor Jesus. Cada um desses pensamentos será para eles como um cacho de uvas do Escol (Nm 13.23). A luz é também a causa da beleza. Não há beleza quando a luz desaparece. Sem luz, a safira não resplandece; nenhum brilho suave emana da pérola; e assim, toda a beleza dos santos lá de cima procede de Jesus. Tal como os planetas, eles refletem a luz do Sol da Justiça (Malaquias 4.2); eles vivem como raios de luz que emanam do astro central. Se Ele Se retirasse, eles morreriam; se Sua glória fosse ofuscada, a glória deles desapareceria. Além disso, a luz é símbolo de conhecimento. No céu, nosso conhecimento será perfeito, mas o próprio Senhor Jesus será sua fonte. Os cuidados velados, nunca antes compreendidos, serão vistos claramente, e todas as coisas que agora nos deixam perplexos se tornarão evidentes à luz do Cordeiro. Ah, quantas revelações haverá, e que glorificarão o Deus de amor! A luz significa ainda manifestação. A luz manifesta. Neste mundo, ainda não aparece como deveremos ser. O povo de Deus é um povo encoberto, mas quando Cristo recebê-lo no céu, Ele os tocará com Sua varinha de amor e os transformará na imagem da Sua glória manifestada. Eles eram pobres e miseráveis; mas que transformação! Eles estavam manchados pelo pecado; mas um toque do Seu dedo e agora eles brilham como o sol e são claros como cristal. Mas que manifestação! E tudo isso emana do Cordeiro exaltado. Seja qual for o fulgente esplendor, Jesus será o centro e a alma de tudo. Ah, que maravilha será estar lá e vê-lo na Sua própria luz, o Rei dos reis e Senhor dos senhores!

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