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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

MUDANÇA

 Mudei muito nos últimos meses. Sinto que me transformei mais nas últimas semanas do que nos últimos anos, mas sinto que a minha maior mudança foi emocionalmente. Já não me vejo mais como o menino assustado que pedia o tempo todo para ser amado, entendido, aceito. Não. Agora, de uma forma que me orgulho em dizer, aprendo que eu é quem posso não amar, entender ou aceitar.


Volta e meia, acho que esfriei um pouco. Perdi aquela intensidade. Em outros momentos, percebo que ainda sou intenso, mas aprendi melhor a hora de ser chama. Entendi que, no fim das contas, é melhor ser brasa em boa parte do tempo. Brasa que se você tocar, queima. Mas se você deixar ali, quieta, não faz mal a ninguém, a menos que esteja em uma superfície potencialmente inflamável, tal qual os solos do coração.


A melhor parte da pessoa que tenho me tornado, é a que consegue se priorizar. Consigo parar e pensar antes nos meus interesses, até onde certas coisas me fazem bem ou é melhor deixar para lá. E, por falar em deixar para lá, essa era uma das minhas maiores dificuldades. Não conseguia passar por cima das coisas. Ficava remoendo tudo. Ficava. No passado. E que paz no coração dizer isso.


Acho que crescer é esfriar. Mas esfriar não é ser pedra de gelo. É só não ser sempre água fervendo. Escrevi essa frase anos atrás, mas acho que, só agora, entendo realmente a dimensão dela. Até porque entendi que pedra de gelo também queima, se você deixa tempo demais na pele. Resumindo, eu vivo de extremos. Os meios nunca me encantaram tanto. Aceitar isso foi o primeiro passo para ser quem me tornei.


No mais, me agradeço pelo meu estado atual de espírito. Sem tanto desespero para os relacionamentos, filtrando quem são os meus amigos, evitando desgastes desnecessários e me poupando de possíveis batalhas sempre que possível. Entendi que quem vence uma guerra não é quem tem mais vitórias individuais, mas sim, quem permanece de pé quando todos os confrontos acabam.

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