“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor” (Is 40.28, 29).
Deus não se cansa! Essa é uma verdade que precisamos ter sempre diante de nós. O contexto de Isaías quarenta mostra um povo desolado, que exteriorizava uma falta de confiança não na existência de Deus, mas no seu agir. Diante dos problemas, podemos desenvolver essa mesma noção. O fato de as coisas não se resolverem logo pode nos dar a falsa ideia de que o Senhor está inerte, passivo, ou mesmo, distante. Para nós, apenas quando percebemos claramente alguma atitude de Deus é que então reconhecemos que ele está presente e ativo. No entanto, entendamos que o Senhor nunca está parado, nunca está longe, jamais está contemplativo. O ócio, por mais que significasse o ofício dos filósofos na antiga Grécia, jamais pode descrever o único Deus verdadeiro. O Salmo 121, que tem como tema exatamente o cuidado de Deus por seu povo, afirma: “É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel” (v. 4). O Senhor nem mesmo tira um cochilo. Nada pode acontecer sem que seja do seu estrito controle.
Devemos entender que Deus não age à distância. Tudo o que faz manifesta sua presença santa. O que o Senhor realiza em nosso benefício não é visto como mera responsabilidade, mas como verdadeiro cuidado. Como Pai perfeito, todas as suas ações e atitudes para conosco não ocorrem por mera obrigação, mas na esfera de seu perfeito amor. Colocando isso de outra forma, é agradável ao Senhor nos abençoar. Da mesma maneira que não agrada a um pai ter que corrigir seu filho, também as maiores disposições do coração divino são a bênção, a misericórdia, a bondade. É verdade: ele é amor. Quando proíbe a idolatria no segundo mandamento, ordena: “Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êx 20.5, 6).
Sabemos que a iniquidade que ele visita dos pais nos filhos são as consequências inevitáveis dos pecados de pais em filhos, que o Senhor permite que se estenda a outras gerações, como o pai alcoólatra que dilapidou todos os bens da família, impondo dificuldades a filhos e netos, pois ninguém será culpado pelo pecado que não cometeu:
“Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? .... a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.1, 4). De qualquer forma, a principal mensagem que está sendo dada no mandamento não é essa! É trágico como costumeiramente se torce as Escrituras simplesmente enfatizando uma meia-verdade. O argumento todo compara a retribuição pelo pecado com a misericórdia de Deus. Não podemos isolar apenas a primeira parte da argumentação. Tomando-a por inteiro, entendemos que o desejo do Senhor em retribuir o pecado de seu povo é muito menor do que a aplicação de sua misericórdia. A proporção é de mil para quatro.
Sobre o povo da aliança está a justiça de Cristo, que evita a retribuição pelo pecado. O Senhor jamais se aparta de seu povo. Não deixemos os problemas nos convencer do contrário. Compreendamos que a dor é solitária, tanto a do corpo como a da alma. Como crentes, participantes do mesmo Corpo de Cristo, temos uma espécie de empatia espiritual que nos concede a capacidade de chorar com os que choram. No entanto, por mais que nos entristeçamos solidários a um irmão, não é a mesma dor que experimentamos. Ela sempre será uma experiência solitária, individual. A sensação de lutar sozinho tem como consequência o cansaço. Ficamos extenuados e, não raro, somos tomados pela perniciosa certeza de que não conseguiremos. Mesmo a plenitude das forças humanas, característica da juventude, não é suficiente (v. 30). Todo tipo de sofrimento é agente de morte, que nos lembra que o mundo no qual ainda vivemos é caído e tem a morte como norma. Toda perda, toda separação, todo mal, são experiências de morte, do estado de morte no qual existimos, esse “morrendo” que caracteriza a vida de todo descendente de Adão.
Embora, como crentes, já experimentemos a verdadeira vida, ainda existimos em um mundo amaldiçoado pelo pecado, que trouxe a morte para o mundo de Deus. Dessa forma, assim como a morte é individual, ou seja, jamais alguém poderá morrer a mesma morte do outro, também o são todas as experiências ligadas a ela: a dor e o sofrimento. No entanto, embora nenhum ser criado possa morrer conosco, o próprio Deus já morreu a nossa morte e nos conduz em cada dia, até que chegue o nosso último fôlego nesta terra.
Não duvidemos de sua presença! Não questionemos suas ações, por não conseguirmos vê-las! O Senhor nos revigora, nos sustenta, nos fortalece. O texto epigrafado é uma exortação do Senhor por meio de seu profeta conduzindo o povo a se lembrar de quem ele é. Trata-se do Criador de todas as coisas! Aquele que dá brilho às estrelas, as tem contadas e as conhece pelo nome.
As pressões da presente existência podem nos levar a desviar os olhos de Deus para fixá-los nas circunstâncias transitórias características de um mundo que igualmente está passando. O Senhor não passa! O senso da grandeza de Deus é o remédio que combate o nosso esquecimento de que o Senhor está sempre presente. Presente ao nascermos, presente ao morrermos diariamente, aquele que nos conduz à eternidade que não passa. Nada está encoberto aos seus olhos, nem nossos sofrimentos, nem os pecados que cometemos. Busquemos ao Senhor pelo caminho que é Cristo, e viveremos também a vida que só ele pode nos dar. O incansável e Todo-Poderoso Deus está conosco. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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