“Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele” (Rm 6.8, 9).
Quando estudamos a história do cristianismo, entendemos que vários fatores contribuíram para que se tornasse uma religião mundial. No que tange aos aspectos geográfico e "logístico" destacam-se o Império Romano e toda a sua infraestrutura. Paulo e seus colaboradores se valeram das estradas romanas. Os ditados: "quem tem boca vai à Roma" e "todos os caminhos levam à Roma" expressam exatamente essa realidade. Roma havia interligado a capital aos lugares mais longínquos do Império. Assim, bastava perguntar como chegar à cidade e prontamente seria indicado um caminho. As rotas de navegação romana também foram usadas pelo apóstolo dos gentios. Os romanos haviam pacificado o Mediterrâneo, o que beneficiou enormemente os deslocamentos pelo Império.
A língua grega adotada como a forma de comunicação do Império também foi determinante. Imaginem se as cartas às igrejas, ou antes, a evangelização, tivessem que ser na língua materna de cada um! A lex romana, a lei dos romanos, foi também bastante útil no ministério paulino, dando-lhe vantagens que foram sabiamente observadas pelo apóstolo em Filipos, bem como, quando preso em Jerusalém, oportunizando a pregação às autoridades, aspecto de seu chamado que ainda não havia sido cumprido. Por fim, não havia fronteiras dentro do Império Romano, o que facilitava as movimentações por todo mundo mediterrâneo. Além disso, a própria proposta do cristianismo como primeira religião de missão impulsionou o evangelho até os quatro cantos do mundo.
O cristão é alguém que se reconhece em dívida para com todo não-crente. Sabe que o Cristo que recebeu não é só para ele, mas para ser repartido com todo aquele que não o conhece. Essa era a consciência de Paulo: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1.14). Nosso Senhor Jesus, no evangelho de João, afirma na Festa dos Tabernáculos que do interior dos crentes fluiriam rios de água viva, uma referência ao recebimento do Espírito e à vida plena que o evangelho traria. No entanto, trata-se de algo que transbordaria o fiel, alcançando aqueles que estivessem ao seu redor. Todas essas coisas estavam debaixo da soberania de Deus que já tem determinada a ocasião da conversão de cada um dos seus eleitos.
Porém, algo que geralmente não é considerado, é exatamente o teor da mensagem cristã, o próprio evangelho de Cristo. A mensagem cristã sempre foi e será distinta como única verdade de Deus. Dessa forma, anuncia a vitória sobre a morte na ressurreição de Jesus. Por isso, diz o apóstolo Paulo: “E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam... Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1Co 15.14, 15, 19). Paulo mostra a centralidade da ressurreição, provando que se ela não fosse real, não haveria evangelho.
A vida naquela época era bem difícil. Havia mais injustiças do que em nossos dias. A pobreza era algo pandêmico, quando a grande maioria da população mundial se alegrava em buscar ter, tão-somente, o que comer. Não havia remédios, fazendo com que várias doenças que hoje são tratadas com tanta simplicidade, fossem mortais. Homens morriam cedo devido ao grande desgaste do trabalho braçal, mas também vitimados por acidentes, ataques de feras no campo e, principalmente, por atos de violência. Nos tempos bíblicos, apenas uma minoria ultrapassava a expetativa de vida dos quarenta anos. Mulheres também morriam cedo, especialmente acometidas por complicações de parto e doenças. As alegrias experimentadas eram aquelas mais simples e básicas da existência, como o prazer conjugal, um dia em que se pudesse consumir porção adicional de comida ou um prato diferente, uma roupa nova (especialmente para as mulheres), ter vários filhos saudáveis para auxiliar nos muitos trabalhos necessários e para a segurança da família, ter algum animal de montaria para facilitar os deslocamentos e servir como tração para algum veículo ou equipamento.
Quando a existência nesta terra é sofrível, a proposta da ressurreição se torna extremamente atraente. É a decepção com a presente existência que nos leva a querer, mais do que tudo, a vida futura. É curiosa a experiência de crentes verdadeiros que passam por doenças prolongadas que lhes impõe uma fase terminal. O sofrimento físico lhes lembra da realidade da presente existência, o quanto ela é decepcionante, fugaz e passageira, levando-os a almejar para logo o momento de partir para a glória em Cristo que é para sempre. Pensa-se e busca-se abandonar o mais rápido possível o tabernáculo terreno (2Co 5.1) a fim de viver a glória da vida futura.
Todavia, vivemos tempos quando a vida se tornou bem mais agradável, quando há ênfase nos prazeres físicos, equipamentos, veículos, utensílios cuja posse traz alegria ao coração dos homens. Temos remédios, tratamentos, cirurgias, que curam quase todas as doenças, meios de transporte que rapidamente levam as pessoas para o outro lado do mundo, mídias que fazem com que falemos e enxerguemos pessoas a milhares de quilômetros de distância. A vida se tornou “boa” a ponto de diminuir a intensidade do desejo pela ressurreição. A impressão que fica é que, mesmo para alguns que se dizem crentes, se a vida eterna fosse apenas continuar a viver eternamente aqui, já seria ótimo. Não se pensa na tragédia que significa a vida sujeita à maldição do pecado em um mundo caído, mas somente na satisfação dos desejos do coração humano.
Na medida em que a ciência e a tecnologia avançam em conceder vida melhor ao pecador, este vai se esquecendo de Deus. Tenhamos muito cuidado! A morte é inescapável! Jamais o homem conseguirá vencê-la por seus próprios esforços! Não permita que as facilidades de nossa época te convençam que se deve priorizar a presente existência. A vida da ressurreição é incomparável! As benesses do conhecimento humano apenas mascaram a tragédia da realidade de todos os pecadores! Não se deixe enganar! Decepcione-se sempre com a presente existência e queira mais do que tudo a vida ressurreta, a existência na eternidade de Deus juntamente com o Cristo ressuscitado. Ele ressuscitou para que nós vivamos já como ressuscitados. Essa sim é a verdadeira vida. Esse é o cerne da mensagem cristã. Tenha um excelente dia na companhia de Cristo
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