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sexta-feira, 19 de junho de 2026

COFRE

 Não é no cofre que guardaremos a nossa riqueza. 

Ninguém será lembrado pelos dígitos da sua fortuna, mas pela intensidade da sua presença.

Tudo aquilo que parecia indispensável fica para trás, esperando novos donos, novos usos, novos significados.

Nossa mala vai sendo reduzida ao tamanho do coração. 

Carregaremos um patrimônio invisível: as risadas de cortar o fôlego, os beijos de perder o norte, os abraços que costuraram as nossas feridas, as conversas que mudaram a nossa forma de enxergar o mundo.

Carregaremos os erros que nos devolveram a atenção da humildade e os acertos que nos permitiram a confiança da coragem.

Vivemos dia a dia amadurecendo nossa despedida. Até que a árvore derrube nossos frutos mais doces sobre a terra.

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