A convivência humana exige habilidade e enorme sabedoria. É necessário conhecer o ser humano para não se decepcionar, pois somos portadores de infinitas qualidades, mas também de limitações. Sim, algumas decepções chegam como ferida, mas, com o tempo, revelam também uma forma de proteção. No primeiro momento, o coração sente o peso da quebra, da expectativa desfeita, da confiança que precisou encarar uma verdade difícil. Ninguém gosta de se decepcionar. Há sempre uma dor em perceber que algo ou alguém não correspondia ao lugar que ocupava dentro de nós. No entanto, a vida tem modos silenciosos de nos salvar antes que o dano seja maior. Às vezes, uma verdade descoberta na hora certa impede que a alma continue investindo onde só haveria desgaste. Deus também cuida quando permite que enxerguemos o que insistíamos em não ver. Nem toda queda é fim. Algumas são interrupções necessárias para que não avancemos por caminhos que nos afastariam da paz. A decepção pode quebrar uma ilusão, mas também pode devolver discernimento. Pode doer, mas também pode abrir os olhos. Pode retirar uma segurança aparente, mas oferecer uma liberdade mais honesta. O coração precisa de tempo para compreender isso, porque a dor costuma falar mais alto no começo. Aos poucos, porém, a alma percebe que foi poupada de permanecer em algo que não era verdadeiro. O que parecia perda começa a se revelar livramento. E esse entendimento não nasce da amargura, mas da maturidade. É possível agradecer a Deus até por certas portas que se fecharam, quando percebemos que elas escondiam caminhos estreitos demais para a nossa dignidade. A vida não nos protege apenas com alegrias. Também nos protege com limites, com sinais, com rupturas e com verdades que chegam antes do desastre. E quando o coração amadurece, entende que algumas decepções não vieram para destruir a fé, mas para conduzi-la a um lugar mais lúcido, livre e sereno.
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