Como vimos ontem, a nossa alma é ensinável. E devemos ensiná-la, pela Palavra, a crer, esperar, descansar e adorar ao Senhor. Em outras palavras, devemos ensiná-la o vocabulário da fé.
Ana nos mostra esse caminho. Em 1 Samuel 1, a Escritura afirma que ela estava “com amargura de alma” e que “orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1Sm 1:10). A expressão hebraica traduzida por “amargura de alma” comunica a ideia de uma alma amarga, profundamente ferida, tomada por aflição interior. Ana não estava apenas triste. Sua dor havia alcançado as profundezas do seu ser.
Mas, em 1 Samuel 2, o vocabulário muda. Ela declara: “O meu coração se regozija no Senhor” (1Sm 2:1). O verbo hebraico usado para “regozija” é alats, que aponta para a ideia de uma alegria intensa, uma celebração que brota do profundo do seu ser. A alma antes amarga agora aprende a exultar no Senhor.
Observe que Ana não diz apenas que se alegra pela bênção recebida, o seu filho Samuel. Ela se alegra “no Senhor”. A bênção foi por demais preciosa, mas o centro do seu cântico é Deus. A amargura da alma foi tratada na presença do Senhor, até que sua dor deixasse de ser o idioma dominante do coração.
Também precisamos ensinar nossa alma a fazer essa travessia. A amargura costuma dizer: “Deus se esqueceu de mim”. A fé responde: “O Senhor se lembra dos seus filhos”. A amargura diz: “Minha história não tem saída”. A fé responde: “Deus governa sobre todas as situações da sua vida”. A amargura fecha os lábios em murmuração. A fé abre o coração em oração.
Ensine sua alma o vocabulário da fé. Ore até que suas dores sejam colocadas diante de Deus com sinceridade. Medite nas Escrituras até que a verdade santa seja mais forte do que a voz da aflição. Busque pensamentos santos, pois pensamentos tratados pela Palavra produzem palavras segundo Deus.
Deixo aqui um alerta sobre este ponto. Somos ensinados em toda a Escritura a zelar pelos pensamentos, levando-os cativos aos pés de Jesus e, assim, enchendo nossa mente apenas daquilo que é verdadeiro, bom, justo e santo. Se você não zelar pelos seus pensamentos, sua alma sofrerá nos caminhos da incredulidade, amargura e ansiedade.
Sim, até a alma mais amarga pode aprender a cantar. Não porque a dor nunca existiu, mas porque o Senhor é maior do que ela. Que, como Ana, você possa dizer: minha alma foi ferida, mas meu coração se regozija no Senhor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário