João 13.5
Poucas cenas revelam tanto o coração de Cristo quanto o lava pés.
Era a última noite antes da cruz. Jesus sabia que seria preso. Sabia que seria humilhado. Sabia que seus discípulos o abandonariam. E sabia que entre eles estava Judas.
João faz questão de registrar que Satanás já havia colocado no coração de Judas o propósito da traição. A decisão já estava tomada. O acordo já estava praticamente fechado. As moedas já ocupavam mais espaço no coração de Judas do que a presença de Cristo.
Mesmo assim, Jesus se levanta da mesa.
Tira sua capa. Pega uma toalha. Enche uma bacia com água.
E começa a lavar os pés dos discípulos.
Naquela cultura, lavar os pés era trabalho de servo. As estradas eram de terra. As sandálias deixavam os pés cobertos de poeira. Nenhum mestre fazia aquilo. Nenhum líder se colocava naquela posição.
Mas o Rei dos reis se ajoelha. O Criador toca os pés da criatura. O Senhor assume a posição do servo.
E o mais impressionante não é que Jesus lavou os pés de Pedro. Não é que lavou os pés de João. O mais impressionante é que Ele chegou diante de Judas e não o pulou.
Jesus segurou os pés que caminhariam até os sacerdotes.
Lavou os pés que correriam em direção às trinta moedas.
Secou os pés do homem que, poucas horas depois, o entregaria com um beijo.
Nós gostamos de servir quem nos valoriza. Gostamos de honrar quem nos honra. Gostamos de amar quem nos ama.
Mas Cristo revelou uma dimensão de maturidade que poucos alcançam. Ele não permitiu que a maldade de Judas alterasse sua essência.
Judas continuou sendo traidor. Jesus continuou sendo Jesus. Não permita que a atitude errada das pessoas transforme você em alguém que Deus não chamou para ser.
Há pessoas que perderam sua identidade por causa das feridas que sofreram. Tornaram-se amargas. Frias. Desconfiadas. Jesus nos mostra outro caminho. Antes das moedas, houve água. Antes da traição, houve amor. E antes da cruz, houve uma toalha.
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