Total de visualizações de página

sábado, 6 de junho de 2026

POLÍTICA

 Nos últimos tempos, o assunto político tem dominado rodas de conversa, capas de jornais, timelines de redes sociais e, principalmente, os sentimentos das pessoas. A indignação tomou conta. Manifestações virtuais e físicas se multiplicam, com palavras de ordem contra a corrupção, exigência por ética e, claro, muitos pedidos de impeachment — mesmo que, às vezes, escritos de forma errada. Perfis nas redes sociais crescem rapidamente apenas por vociferarem contra os “políticos ladrões”, recebendo milhares de curtidas e seguidores sedentos por justiça.


É evidente que a corrupção nos incomoda, e com razão. Ela afeta diretamente os serviços públicos, a economia e, acima de tudo, o senso de justiça da população. Mas há algo que poucos estão dispostos a encarar: a corrupção não começa em Brasília, nem no Congresso, nem nos gabinetes luxuosos do poder. Ela começa no cotidiano, em atitudes pequenas, muitas vezes ignoradas, que se repetem todos os dias entre nós.


A pergunta que não quer calar é: por que é tão difícil encontrar um político com ficha limpa bem posicionado nas eleições? Talvez porque a política seja apenas um reflexo da sociedade que a sustenta. E nessa sociedade, infelizmente, temos a tendência de normalizar os pequenos desvios de conduta, especialmente quando nos favorecem.


Sabe aquele troco a mais que você recebeu por engano e não devolveu? Aquela carteira encontrada no chão, mas que você ficou por “não saber o dono”? Ou o produto comprado por um preço muito abaixo do normal, mesmo desconfiando que era fruto de roubo? E a dívida que você espera que “caduque” só para não ter que pagar? A desculpa esfarrapada para colar na prova ou a famosa “carteirada” para furar a fila? Tudo isso é corrupção. Disfarçada, socialmente aceita, mas ainda assim corrupção.


Muitos criticam os políticos por abusarem do poder para benefício próprio, mas quantos não fariam o mesmo se estivessem na mesma posição? A diferença entre o cidadão que tenta se dar bem em tudo e o político corrupto pode estar apenas na escala, não na intenção. Ambos agem com base no mesmo princípio: o de tirar vantagem em qualquer situação, independentemente das consequências.


É preciso, sim, denunciar e combater a corrupção em todas as esferas. Mas é hipocrisia exigir ética de quem está no poder sem revisar as próprias atitudes. De que adianta bradar contra o sistema se você também o contorna sempre que pode? De que adianta pintar o rosto, vestir a camisa da pátria e ir às ruas, se no cotidiano você dá mau exemplo aos seus filhos, colegas e à sociedade?


Não se trata de minimizar os crimes de colarinho branco ou isentar políticos corruptos de suas responsabilidades. Longe disso. Mas se quisermos uma mudança verdadeira e duradoura, ela precisa começar na base, e a base somos nós. Ética, caráter e responsabilidade não podem ser apenas bandeiras em protestos. Precisam ser práticas diárias, constantes, silenciosas e honestas, mesmo quando ninguém está olhando.


A transformação que tanto pedimos para o Brasil não virá de um salvador da pátria, de um novo partido ou de uma eleição milagrosa. Ela virá do exemplo. E esse exemplo deve começar dentro de casa, nas pequenas decisões do dia a dia. Só assim teremos, no futuro, políticos mais íntegros: porque terão vindo de uma sociedade que aprendeu, de fato, o que é integridade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário