“venha o teu reino” (Mt 6:10)
Está muito claro que a igreja desconhece a importância que se reveste a proclamação do evangelho tanto perto quanto longe. O crente pensa em salvar almas, o que já é um equívoco, pois o evangelho salva também o corpo. Quando em um sepultamento ouvimos dizer que o falecido já não se encontra ali, trata-se de uma negação da doutrina da ressurreição física, corpórea. A alma do que morreu não está mais ali, mas o seu corpo está! Faz parte integrante dele! Será aquele corpo que ressuscitará no último dia. Deus salva o homem inteiro, não apenas sua alma.
Sim, o evangelho é para salvação, mas temos que entendê-la em um escopo maior, em toda a sua abrangência. Quando falamos da evangelização e da obra missionária, pensamos em termos muito individualistas, em uma pessoa que não irá para a perdição. Porém, é bem mais do que isso! Evangelizar perto ou longe é trabalhar para a implantação do reino de Cristo.
As três primeiras petições da Oração do Senhor são missionárias. Quando pedimos ao Senhor que santifique o seu nome, que estabeleça o seu reino e que a sua vontade seja feita perfeitamente nos céus e na terra, estamos suplicando o retorno da ordem original da Criação perfeita. Adão, antes da queda, percebia a glória da santidade do Criador, a vontade divina era a única coisa que o homem fazia espontânea e naturalmente. Vivia-se o reino de Deus conferido aos homens: a dominação dada a Adão sobre toda a Criação.
Na queda, o reino conferido por Deus à humanidade foi usurpado pelo diabo, passando a ser ele o príncipe deste mundo. Ocupou o lugar de Adão na Criação, exatamente o que pretendeu sua revolta nos céus. Estabeleceu-se assim um reino de trevas, de afastamento e rebelião contra Deus. Ele é formado pelo diabo e seus anjos, somados a todos os perdidos. No entanto, o reino dos homens haveria de ser recuperado por um segundo Adão, que cumpriria o Pacto de Obras no qual o primeiro Adão fracassou e pagaria a dívida de sangue dos eleitos, morrendo no lugar deles.
Esse é o Reino de Deus anunciado por Jesus. Significa reconstituir a existência humana como era no início: serva, filha e aliada de Deus. Isso é a obra missionária! As portas do inferno não prevalecem diante da Igreja de Cristo, que “invade” o inferno para resgatar os eleitos destinados à glória, constituir a nova humanidade na Criação restaurada.
É interessante ver a atitude de Jesus em seu ministério. Ele curava e expulsava demônios, sinais que mostravam sua vitória sobre a morte, restaurando vidas, e a derrota do diabo. No entanto, havia algo latente em Cristo, um inconformismo com os efeitos do pecado. Por isso, não importava se havia fé ou não, Jesus curava. Era seu impulso como Restaurador de todas as coisas, consertar o que via de errado. Enquanto realizava seu ministério, era um exterminador dos efeitos do pecado. Quando alcançou a cruz, matou o pecado e a morte para os eleitos. Assim, enquanto ensinava o evangelho do reino, Jesus ia consertando as coisas, fazendo uma cura ali, expulsando um demônio acolá, pois nada disso correspondia àquilo que ele havia feito no ato criador.
O comprometimento do crente com as missões não é mera responsabilidade, mas um impulso da alma regenerada. O desejo de falar de Jesus é uma das maiores provas de conversão, pois a boca fala do que está cheio o coração. Quando o Salvador entra em uma vida, a domina por completo. O coração transborda Cristo. A boca é o vertedouro da alma, sua vazante. Assim, aquilo que transborda o coração necessariamente sai pela boca. Nós vemos isso sempre que alguém tem uma grande alegria, recebe uma preciosa dádiva. Ele não consegue deter sua própria felicidade! Sai falando para todo mundo sobre sua grande satisfação.
Ora, nada é mais precioso, maravilhoso, sublime, do que a habitação de Cristo e seu Santo Espírito na vida de um salvo. Falaremos de nosso grande achado, como o júbilo da mulher que encontrou sua dracma perdida. Reuniu amigas e vizinhos para celebrar o achado daquilo que havia sido perdido. Jesus destaca com isso a alegria dos anjos no céu. Ora, se os santos anjos de Deus se alegram pela salvação de uma criatura diferente deles, quanto mais deveriam se alegrar aqueles que são daquela própria espécie!
Se estamos “cheios” de Jesus, naturalmente falaremos dele. Evangelização não se dá por treinamento, mas por comunhão profunda com Cristo. Quando se torna necessário cursos de evangelização, prova a deficiência espiritual da igreja, que pretende substituir a unção pelo método. Ninguém evangelizará porque foi treinado para isso. Esse não é ímpeto para evangelização e missões! Trabalhemos em prol do reino de Deus! Percebamos a grandeza e a glória que isso significa! Busquemos a face de Cristo para que falemos dele com a propriedade e o conhecimento de quem conversa com ele todos os dias. Vejamos o reino original dado a Adão, recuperado por Cristo, ser novamente implantado na terra. Não apenas ansiemos por isso! Façamos a nossa parte! Tenha um abençoado dia de evangelização na presença de Jesus
Nenhum comentário:
Postar um comentário