Quando olhamos para um espelho, vemos apenas o que ficou para trás, jamais o que está à nossa frente. Por mais nítido que seja seu reflexo, ele sempre nos apresenta a realidade invertida: o lado direito parece esquerdo, e o esquerdo, direito.
Talvez por isso o apóstolo Paulo tenha dito que, por enquanto, vemos “como por espelho”. Um dia, porém, veremos face a face (1 Coríntios 13:12).
É na face de Cristo que o futuro se revela. Por isso, nossos olhos precisam permanecer fixos n’Ele (Hebreus 12:2).
Mas como olhar firmemente para alguém que não vemos? O próprio Jesus respondeu a essa pergunta ao declarar bem-aventurados os que não viram e, ainda assim, creram (João 20:29).
Fixar os olhos em Cristo não significa contemplá-Lo fisicamente, mas aprender a enxergar toda a realidade a partir d’Ele.
É como dirigir um automóvel. O motorista olha para a estrada através do para-brisa. Os retrovisores têm sua importância, mas servem apenas para consultas rápidas. Quem dirige olhando continuamente para trás jamais chegará ao destino.
Cristo é o nosso para-brisa.
Os retrovisores são as Escrituras, o próximo e nossa própria história.
Nas Escrituras contemplamos como Deus conduziu aqueles que vieram antes de nós. Seus acertos nos inspiram; seus erros nos advertem (Romanos 15:4; 1 Coríntios 10:11).
No próximo encontramos um espelho da própria humanidade. Reconhecemos virtudes e fraquezas, sonhos e limitações. Alguns caminharão conosco por muitos anos. Outros seguirão apenas parte da jornada. Uns nos surpreenderão; outros nos decepcionarão. Todos, porém, terão algo a nos ensinar.
Ao olhar para dentro de nós, revisitamos nossas experiências e percebemos quanto amadurecemos, quanto ainda precisamos crescer e quais lições a vida escreveu em nossa alma (2 Coríntios 13:5).
Mas nenhum motorista percorre uma estrada olhando apenas pelos retrovisores.
Nosso destino está à frente.
Por isso, “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Filipenses 3:13-14).
Nossa referência e alvo é Cristo.
Se gastarmos mais tempo contemplando o passado do que olhando para Ele, corremos o risco de transformar o ontem em nosso destino e deixar para trás o futuro que Deus preparou para nós.
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