OS NICOLAÍTAS: QUANDO O HOMEM TENTA OCUPAR O LUGAR QUE PERTENCE A CRISTO
Jesus nunca disse que odiava pessoas. Ele disse que odiava as obras e a doutrina dos nicolaítas. Isso deveria nos fazer perguntar: o que havia de tão grave para receber uma das palavras mais severas do próprio Senhor?
O pecado dos nicolaítas não começou na imoralidade. A imoralidade foi apenas o fruto. A raiz era muito mais profunda. Toda doutrina que diminui a suficiência de Cristo inevitavelmente produzirá uma vida distante da santidade. Quando Jesus deixa de ocupar o centro, alguém ou alguma coisa ocupa o Seu lugar.
Os nicolaítas representavam um sistema que enfraquecia a autoridade da Palavra e tornava aceitável aquilo que Deus nunca chamou de santo. Eles ensinavam que era possível conviver com o pecado sem romper a comunhão com Deus. O que antes causava arrependimento passou a ser tratado como normal. O que Deus chamava de impuro passou a ser chamado de liberdade. Foi exatamente por isso que Jesus não fez uma simples advertência. Ele declarou guerra àquela doutrina.
Essa mesma batalha continua acontecendo. Sempre que a verdade é adaptada para agradar pessoas, quando o arrependimento é substituído pelo conforto, quando a cruz perde espaço para a aprovação humana e quando a santidade passa a ser negociável, o espírito da doutrina dos nicolaítas volta a aparecer. Ela talvez mude de nome, de roupa e de linguagem, mas continua tentando fazer a mesma coisa: construir uma fé onde Cristo é admirado, porém não obedecido.
Por isso Apocalipse não é apenas um livro sobre o futuro. É um espelho para a Igreja de todas as gerações. Antes de anunciar os juízos sobre o mundo, Jesus julgou aquilo que estava acontecendo dentro da própria Igreja. Porque o maior perigo nem sempre é a perseguição que vem de fora. Muitas vezes é a corrupção da verdade que nasce por dentro.
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