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terça-feira, 7 de julho de 2026

VEZES



Há diversas reações quando enfrentamos problemas graves em nossas vidas, e uma delas é a vitimização. Vitimizar-se é colocar-se sempre na condição de vítima, transferindo para outros a responsabilidade por aquilo que também precisa ser tratado em nosso próprio coração.


Com isto, não estou dizendo que por vezes não somos, de fato, vítimas de processos hostis, mal-intencionados, imaturos ou até abusivos. Sim, em diversos contextos somos feridos por palavras, atitudes, decisões e comportamentos injustos. Há dores reais, agressões reais e sofrimentos que precisam ser reconhecidos com seriedade, cuidado e verdade.


Vitimizar-se, entretanto, refere-se a algo diferente. É colocar-se sempre na condição de vítima, independentemente dos cenários. É não assumir responsabilidade por palavras, escolhas e reações. É interpretar todos os conflitos como se o erro estivesse apenas no outro. É esconder-se atrás da própria dor para não lidar com o próprio pecado.


Foi o que fez Adão ao ser procurado pelo Altíssimo ainda no Éden. A Palavra registra: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). Em outras palavras, ele dizia: eu não tive culpa, não tenho responsabilidade sobre este problema, fui induzido, seduzido, levado a fazer o que fiz. Desde a queda, o coração humano tenta escapar da responsabilidade e transferir a culpa.


Precisamos parar de nos vitimizar e assumir, quando há, a parcela da nossa culpa nos problemas que nos afligem. Permitam-me falar especialmente sobre problemas relacionais, pois penso que aqui se alojam os mais frequentes processos de vitimização. Não é fácil lidar com pessoas por demais exigentes, críticas, imaturas, duras ou instáveis. Não é fácil conviver ou trabalhar com pessoas que ferem com palavras, cobram sem misericórdia, julgam sem ouvir e raramente reconhecem os próprios erros. Tais posturas adoecem os relacionamentos e cansam an alma, devemos reconhecer. 


Mas é preciso dar um passo atrás, colocar tudo em oração e procurar enxergar o cenário com os olhos de Cristo. Talvez nós também sejamos um peso para quem pensamos que nos pesa. Talvez nós também sejamos difíceis para quem achamos que é difícil. Talvez nossas palavras, silêncios, cobranças e reações também estejam ferindo quem pensamos que nos fere. 


Sim, há momentos para você orar, aconselhar, confrontar ou buscar ajuda, para que aquele irmão difícil e imaturo possa amadurecer em Cristo. Mas há algo mais que sempre precisa ser feito: cuidar do próprio coração, para não se esconder atrás do escudo da vitimização. Pare de repetir “coitadinho de mim” e passe a orar com sinceridade diante do Senhor: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23-24).



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