SE CONSELHO FOSSE BOM…
Lembro-me do ditado popular: “Se conselho fosse bom, não se dava, vendia”. Embora seja uma frase conhecida, ela não expressa a sabedoria bíblica. Muitas vezes vemos situações na vida de alguém próximo, percebemos riscos, erros, dores ou caminhos perigosos e, mesmo tendo acesso a essa pessoa, nos omitimos. Talvez por medo de sermos mal interpretados, de parecermos inconvenientes, de perdermos o relacionamento ou de não sabermos como falar.
A Palavra, entretanto, nos ensina de forma diferente. Paulo escreve: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3:16). Ontem refletimos sobre o início deste verso, quando Paulo nos orienta a buscar que a Palavra de Cristo habite ricamente em nós. Em seguida, no mesmo verso, ele nos chama a instruir e aconselhar uns aos outros.
Observemos as palavras chaves. “Instruir” aponta para ensinar, orientar, ajudar alguém a compreender algo. “Aconselhar” traz a ideia de exortar, advertir, encorajar e conduzir o irmão no caminho certo. E “mutuamente” nos lembra que todos precisamos, em algum momento da vida, de acolhimento, repreensão, consolo e encorajamento. A figura não é apenas de um pastor aconselhando o rebanho, mas de irmãos e irmãs em Cristo colaborando uns com os outros no amadurecimento espiritual.
Mas como aconselhar sem ser intrusivo ou inconveniente? Primeiro, ore. Coloque sua preocupação diante do Senhor e peça amor, sabedoria, humildade e o momento certo. Peça também discernimento, pois nem sempre somos a pessoa certa para aconselhar alguém, mesmo quando percebemos uma necessidade real.
Segundo, avalie o assunto diante da Palavra. Pergunte se aquilo que você deseja abordar é, de fato, algo que exige orientação bíblica, correção, cuidado ou proteção, e não apenas um incômodo pessoal seu, uma preferência sua ou uma diferença de estilo.
Terceiro, aproxime-se. Em situações sensíveis, especialmente envolvendo pessoas do sexo oposto e assuntos difíceis, é prudente conversar como casal ou envolver mais alguém maduro na conversa. Evite qualquer situação que seja ambígua. Quarto, fale com mansidão. Exponha sua preocupação como quem deseja edificar, não controlar; restaurar, não acusar; servir, não vencer uma discussão. Lembre-se: o bom conselho nasce da Palavra, é regado em oração e comunicado com amor fraternal, sempre de forma discreta.
Há, porém, pessoas abertas ao conselho e outras que resistem. Ainda assim, faça a sua parte com amor, à medida que tiver discernimento sobre o assunto. Portanto, não se omita por medo, nem fale por orgulho. Instrua e aconselhe com sabedoria, para a glória de Deus e o amadurecimento do seu irmão ou irmã na fé.
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