Ser favorito e chamado por Deus não é viver uma vida onde tudo dá certo. Muitas vezes é exatamente o contrário do que as pessoas imaginam. José recebeu sonhos, mas antes do governo conheceu a cisterna, a escravidão e a prisão. Davi foi ungido rei, mas depois da unção precisou fugir e morar em cavernas. Moisés foi escolhido para libertar um povo, mas atravessou quarenta anos no deserto. Daniel era fiel e mesmo assim foi lançado na cova. Paulo carregava um chamado extraordinário, mas também carregou marcas de prisões, açoites, rejeições e naufrágios. E Jesus ouviu do Pai: “Este é o meu Filho amado”, mas isso não significou ausência de Getsêmani e cruz. Talvez seja aí que muita gente se confunda. Chamado não é certificado de conforto. Favor não é imunidade à dor. Ser escolhido não significa ser poupado de toda luta. Significa que nenhuma delas será capaz de cancelar aquilo que Deus determinou. Por isso, cuidado ao olhar para a luta de alguém e concluir que Deus se afastou. Você pode estar olhando para José na prisão poucos capítulos antes do palácio, para Davi na caverna antes do trono ou para Daniel entrando na cova antes de ver um rei reconhecer o poder do Deus que ele servia. O escolhido também chora, também se cansa, também pergunta e há dias em que não entende nada. Mas existe algo dentro dele que continua dizendo: “Eu não posso parar aqui.” Talvez essa seja uma das partes mais dolorosas do chamado: permanecer quando ninguém entende, continuar quando seria mais fácil desistir e confiar em Deus quando o que os olhos veem parece contradizer tudo o que Ele prometeu. Ser chamado não é ter uma história sem cicatrizes. É chegar ao final e perceber que nenhuma delas conseguiu apagar o propósito.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.1 Tessalonicenses 5:24
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