Em Salmos 55, Davi descreve alguém cuja boca era mais macia que a manteiga, mas que tinha guerra no coração. As palavras eram suaves como o azeite, porém eram espadas desembainhadas. E, antes disso, ele revela o que tornava aquela dor tão profunda: era alguém próximo, um companheiro com quem tinha conversas agradáveis e caminhava até a casa de Deus. Você consegue imaginar a dor de lembrar das conversas, da confiança, dos momentos juntos e perceber que aquela amizade não era tão sincera quanto você acreditava? A boca oferecia paz enquanto o coração alimentava guerra. É possível falar com delicadeza e agir com crueldade, elogiar na presença e destruir na ausência, pedir uma informação como quem se preocupa e depois usar aquilo para ferir. Por isso, não confunda palavras bonitas com caráter. Observe como a pessoa trata aquilo que você confiou a ela, como age quando você não pode oferecer nada e o que faz quando precisa escolher entre proteger você e levar vantagem. Mas essa Palavra também precisa entrar em nós. Não adianta reconhecer a falsidade na boca dos outros e justificar a nossa. Quando dizemos “não é querendo falar mal”, mas continuamos falando, a frase suave não limpa a intenção. Quando abraçamos alguém e depois alimentamos comentários contra essa pessoa, precisamos de arrependimento. Deus ouve a conversa e conhece o coração de quem está falando. Se você foi ferido assim, apresente sua dor ao Senhor, como Davi fez. Você pode estabelecer limites sem se tornar uma pessoa amarga. Pode aprender a discernir sem perder a capacidade de amar. Só não permita que a falsidade que machucou você passe a morar em você.
Salmos 55:12–14,21–22
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