O coração, desde os gregos, é o centro vital e existencial. Cuidar do coração é o equivalente à proteger a vida de tudo e de todos. Tem muita gente de coração muito bom. Por isso, uma pessoa pode chegar discretamente e deixar o ambiente mais acolhedor. Não trouxe novidades impressionantes nem procurou ocupar o centro da conversa. Apenas percebeu quem estava de lado, fez uma pergunta com interesse e permaneceu para ouvir. Há uma beleza que se torna visível assim, pelo efeito de nossa presença na vida alheia. A aparência pode contar alguma coisa sobre nós, mas não alcança tudo o que cultivamos por dentro. As intenções amadurecem nos gestos que repetimos, sobretudo quando não existe alguém avaliando. O cuidado com uma palavra, a honestidade diante de uma vantagem, a disposição de reconhecer um erro revelam escolhas que nenhuma apresentação substitui. Por isso, olhar para o coração também exige verdade. Podemos gostar de imaginar que somos generosos e ainda perceber quanto nos custa repartir tempo. Podemos desejar a paz enquanto alimentamos pequenas disputas em silêncio. Essas contradições fazem parte do que precisamos conhecer para amadurecer. Deus nos encontra nesse lugar inteiro, sem se deixar impressionar pela imagem que tentamos sustentar. Na oração, há espaço para agradecer pelo bem que cresce e reconhecer o que ainda precisa de cuidado. A vida interior não se transforma apenas porque desejamos parecer melhores. Ela ganha consistência quando uma intenção se torna atitude, quando alguém recebe de fato a escuta que dizemos valorizar. Talvez o trabalho mais importante aconteça longe dos olhares, na maneira como lidamos com uma inveja, acolhemos uma tristeza ou desistimos de uma crueldade. Aos poucos, aquilo que alimentamos aparece no modo de estar junto. O coração deixa marcas, mesmo nas passagens breves. E há uma esperança serena em saber que podemos cultivar dentro de nós algo que torne mais leve a chegada do outro, como uma casa cuja beleza se reconhece pelo acolhimento que oferece. Bênção! Paz & Bem! Santa Alegria! Abraço!
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