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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

HUMANO

 Você já parou pra pensar a que ponto um ser humano chega para ser o primeiro e o que ele é capaz de fazer para ocupar esse lugar? Abimeleque, filho de Gideão, foi à casa do próprio pai e matou seus irmãos sobre uma mesma pedra. Leia isso devagar: seus irmãos. Pessoas que pertenciam à mesma família, filhos do mesmo pai. A vontade de governar foi tão longe que ele aceitou destruir a própria casa para conseguir um trono. E, no meio daquela matança, o irmão mais novo se escondeu. Jotão sobreviveu. A Bíblia não descreve suas lágrimas, mas conta que, depois, ele levantou a voz e denunciou o que haviam feito à sua família. Enquanto Abimeleque era recebido como rei, Jotão precisava fugir para continuar vivo. Um ganhou uma coroa; o outro perdeu os irmãos e a segurança de ficar. É doloroso perceber que aquilo que alguns celebram como conquista deixou uma ferida enorme na vida de alguém. Por trás da posição que Abimeleque ocupou, havia uma família destruída. E houve quem financiasse aquilo, quem o colocasse no poder, quem aceitasse seguir a vida depois de tamanha crueldade. A história nos obriga a olhar para o preço que fazemos os outros pagarem pelos nossos desejos. Ninguém precisa morrer fisicamente para ter a vida ferida pela ambição de alguém. Há quem perca a paz, o sustento, a confiança e a alegria porque outra pessoa decidiu que precisava ser a primeira a qualquer custo. Mas Deus viu o que aconteceu naquela pedra. Viu também o menino que escapou e precisou fugir. O capítulo termina dizendo que Deus fez voltar sobre Abimeleque o mal que ele havia praticado contra seus irmãos. O tempo em que ele governou não apagou sua responsabilidade. Que o Senhor nos guarde de desejar tanto um lugar a ponto de deixar de enxergar quem está ao nosso lado. Porque, quando uma posição vale mais do que uma vida, o coração já adoeceu. E nenhuma coroa compensa a dor de uma família que você destruiu para usá-la.


Juízes 9:1 a 21; 56.



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