Agradeço sempre a Deus por ter conhecido o caminho da fé, desde pequeno. Sempre afirmo que a fé me sustenta e me faz avançar diariamente. Mas é bom recordar que a fé nem sempre modifica imediatamente aquilo que pedimos. Muitas vezes, ela modifica primeiro a maneira como atravessamos o que ainda não mudou. É por isso que fé não pode ser reduzida a uma expectativa atendida. Se fosse apenas isso, ela dependeria da rapidez das respostas e da realização exata dos nossos desejos. A fé verdadeira é mais profunda. Ela permanece quando a resposta demora, quando o caminho parece incerto, quando a alma precisa continuar sem compreender tudo. Deus não se torna fiel apenas quando faz o que esperamos. Ele já é fiel enquanto nos sustenta no processo. Há uma confiança amadurecida que nasce quando deixamos de medir o amor divino pela satisfação imediata das nossas vontades. Essa confiança não é fria, nem distante. Ela também sente medo, também chora, também pergunta. Mas, mesmo perguntando, continua segurando a mão de Deus. A fé sustentada é aquela que encontra chão no invisível, que respira no silêncio e que aprende a permanecer sem exigir provas constantes. Não significa aceitar tudo sem dor, mas acreditar que a dor não está sozinha. Deus caminha conosco dentro das esperas, dentro das perdas, dentro das incertezas e também dentro das alegrias. Quando o coração entende isso, a oração ganha outra profundidade. Deixa de ser apenas pedido e se torna entrega. Deixa de ser cobrança e se torna presença. A alma passa a confiar não porque sabe todos os caminhos, mas porque sabe em Quem repousa. E essa confiança, mesmo pequena, guarda uma força imensa. Ela impede que a esperança se apague quando a realidade ainda não mudou. Fé é permanecer ligado ao amor de Deus, mesmo quando o tempo parece difícil. E quem permanece assim descobre que ser sustentado já é uma forma silenciosa de milagre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário