FERIDA MAS NÃO FERINA
Você já enfrentou situações em que foi provocado por outra pessoa de maneira insistente e dolorosa? Talvez junto com as provocações tenham vindo zombaria, crítica, desprezo, comparação ou palavras lançadas justamente no ponto mais sensível da sua alma. Quem sabe você se encontre nesta situação hoje.
Ana viveu algo semelhante. Ela foi provocada por Penina, e o texto nos diz: “A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o Senhor lhe havia cerrado a madre” (1Sm 1:6). A palavra hebraica traduzida por “provocar” traz a ideia de causar aflição, perturbar e ferir emocionalmente. Já a expressão “para a irritar” aponta para o desejo de produzir agitação interior, tristeza e amargura. Penina não apenas falava. Ela feria. E feria justamente no ponto mais doloroso de Ana.
Assim também pode acontecer conosco. Algumas pessoas parecem conhecer nossas fragilidades e usam palavras, gestos ou atitudes para nos diminuir. Tocam em feridas antigas, expõem fraquezas, zombam de limitações e tentam nos reduzir àquilo que mais dói em nós.
A resposta de Ana deve ser também a nossa resposta. Ela levou sua dor aos pés do Senhor e ali derramou sua alma. A Bíblia afirma que ela, “com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1Sm 1:10). O Pai não quer que silenciemos nosso choro, mas que choremos em sua presença, lançando sobre ele as nossas dores. Como nos ensina a Escritura: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5:7).
Ana também, pelo que o texto nos revela, não revidou. Não há relato de Ana retrucando Penina, criticando-a ou fazendo guerra contra ela. Ela falou sobre Penina com quem deveria falar: o Senhor.
Por fim, Ana não permitiu que a ferida a tornasse ferina. Ela sofreu, mas não se tornou cruel. Chorou, mas não respondeu com veneno. Foi ferida, mas permaneceu diante de Deus. Eis uma grande lição: a dor pode nos machucar, mas não precisa nos deformar. Que o Senhor nos dê graça para sermos feridos sem nos tornarmos ferinos, levando nossas dores à sua presença e confiando que ele cuida de nós.
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