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quarta-feira, 8 de julho de 2026

AMARGURA



Ontem falamos sobre uma das reações que matam a nossa paz: a vitimização. Vitimizar-se é colocar-se sempre na condição de vítima, transferindo para outros a responsabilidade por aquilo que também precisa ser tratado em nosso próprio coração.


Hoje apresento um novo perigo quando não olhamos para o sofrimento com os olhos de Cristo: a amargura. Esta é outra reação perante as dores, pressões, frustrações e conflitos relacionais da vida. A Palavra nos alerta: “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 12:15).


Amargurar-se é abraçar com força aquilo que nos afligiu, mantendo vivos os fatos, pensamentos e sentimentos ao redor daquela dor. A amargura pode ser em relação a um fato ou em relação a alguém. Em ambas as situações, criamos uma câmara secreta na alma, onde guardamos antigas feridas como se tivessem acontecido ontem. O tempo passa, mas a lembrança continua sendo frequentemente alimentada. E não é incomum que vitimização e amargura caminhem de mãos dadas.  


Não estou dizendo com isto que o sofrimento não é real ou que seus efeitos não sejam prolongados. Ao contrário, reconheço o poder do sofrimento sobre nós. Há palavras que ferem, perdas que rasgam a alma e atos que deixam marcas profundas por muito tempo. Afirmo, porém, que a melhor forma de tratar a dor não é pela amargura, mas pelo perdão e pela confiança em Deus.


Se, perante a vitimização, precisamos assumir a nossa responsabilidade, perante a amargura precisamos abraçar a confiança e o perdão. O perdão é para as pessoas. Portanto, perdoe quem o feriu, quem o decepcionou, quem falou o que não devia, quem foi imaturo, duro, injusto ou ausente. Perdoar não é diminuir a gravidade do erro, negar a dor causada ou ignorar as consequências do pecado. Perdoar é colocar a ofensa nas mãos de Deus, renunciando ao desejo de vingança e confiando que Ele sabe julgar com justiça, tratar com sabedoria e restaurar conforme a sua vontade.


Mas há também a amargura diante dos fatos, quando a pergunta em nossa alma é: “por que Deus permitiu que isto acontecesse comigo?” Neste caso, o chamado é para confiar. Em Cristo podemos dizer: “eu não sei por que isto aconteceu comigo, jamais passaria por esta situação se pudesse escolher, não tem sido nada fácil e ainda dói, mas confio no Senhor meu Deus e descanso em suas mãos”.


Lance fora toda a amargura e passe a régua nos fatos passados. Desfaça aquela câmara secreta da alma onde você guarda dores antigas e cicatrizes que você insiste em não deixar que se curem. Entregue tudo ao Senhor. Perdoe as pessoas que precisam do seu perdão. Confie em Deus quanto aos fatos que não fazem sentido em nosso entendimento A amargura adoece, mas a graça cura. O perdão liberta, e a confiança no Senhor pacifica o coração.

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