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quarta-feira, 22 de julho de 2026

CAMINHO

 Gosto de caminhos longos e arborizados. Amo os corredores do convento onde resido. Caminhamos para muittas direções. Porém, nós também somos caminhos que marcam a vida dos demais, além de sermos marcados. Ninguém atravessa nossa vida sem deixar algum sinal. Existem presenças que chegam como descanso, outras como aprendizado, outras como espelho, outras ainda como desafio. Algumas permanecem por muitos anos, outras passam rapidamente, mas todas, de algum modo, tocam a paisagem interior. Somos feitos também dos encontros que tivemos. Uma palavra recebida no momento certo pode abrir uma estrada nova dentro da alma. Um gesto de ternura pode devolver confiança. Uma ausência pode ensinar desapego. Até certas feridas, quando amadurecidas pela graça, acabam revelando caminhos de consciência que antes não existiam. A vida humana é profundamente entrelaçada. Não caminhamos isolados, mesmo quando pensamos estar sozinhos. Deus vai se servindo de pessoas, momentos e vínculos para nos moldar com delicadeza. Há encontros que nos aproximam de nós mesmos. Há outros que nos mostram o que ainda precisa ser curado. E há aqueles que permanecem como luz, mesmo depois de terem seguido adiante. Cada pessoa que passa deixa algo no terreno do coração. Pode ser uma flor, uma marca, uma ponte, uma pergunta, uma saudade. O importante é aprender a olhar para essas passagens com sabedoria, sem transformar tudo em apego ou ressentimento. Nem toda estrada será definitiva, mas toda estrada pode ensinar direção. Quando compreendemos isso, deixamos de medir os encontros apenas pela duração e começamos a percebê-los pela transformação que provocaram. Às vezes, uma breve presença muda mais a alma do que uma longa convivência sem profundidade. Deus conhece essas travessias. Ele sabe quem chega, quem fica, quem parte e o que cada encontro desperta em nós. E, no fim, vamos percebendo que nossa paisagem interior é feita de muitas pegadas. Algumas doeram, outras floriram, mas todas ajudaram a desenhar o caminho pelo qual seguimos aprendendo a amar melhor. 

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