Observo alguns debates que ocorrem aqui e ali a respeito da orientação e foco que uma igreja deve assumir. Algumas alas defendem que a orientação única que uma igreja deve adotar, trata-se de ser uma igreja vertical. Por igreja vertical entenda-se, ser uma igreja centrada em Deus, voltada para Deus, e que mantém toda sua organização eclesiástica (liturgia, música, pregação) com o foco em Deus. Nessa leitura, a igreja não deve se ocupar com a tarefa de tornar a mensagem do Evangelho “agradável” aos ouvintes, nem se preocupar com que visitantes entendam o que se quer dizer nas músicas (cânticos) que são tocadas. O foco é agradar ao Senhor. O culto dominical resume-se ao momento sublime de encontro do povo de Deus para “queimar incenso” em Sua presença e ampliar a comunhão entre eles.
Já na ala dos que defendem uma igreja horizontal, encontramos a proposta de que, tudo na igreja, deve ser voltado para os de fora. Muita mídia social e recursos visuais “descolados” são utilizados, a vestimenta mais despojada, a linguagem menos formal e, na pregação, não é raro notar o abandono de alguns temas como: pecado, santificação, castidade pré-conjugal, inferno, entre outros.
Creio que os dois conceitos não são excludentes e, assim, uma igreja com ênfase missional procura agregar o ideal dos dois “cenários”.
Precisamos, definitivamente, expressar o caráter vertical de nossas igrejas. Isso nasce com o senso da missão como igreja no mundo, passando pela diligente obediência às Escrituras, ensinando doutrinas bíblicas que revelam quem é Deus e quem é o homem, zelo na administração dos sacramentos e na aplicação da disciplina. Além disso, é importante que tudo nessa igreja, de fato, aponte para Deus e ajude pessoas a alcançarem uma visão mais clara sobre o Cristo da Bíblia, permitindo com que desenvolvam então uma cosmovisão cristã do mundo e de si mesmas.
Pastores devem ser mais do que “treinadores de vidas”. Precisam ser conhecedores e pregadores do Evangelho, pois se desejam ter igrejas fortes, precisam de mais do que boa administração, tradição denominacional ou carisma: precisam exalar o Evangelho.
Na mesma medida, é importante atentarmos para o chamado horizontal da igreja. Necessitamos de revisão das nossas estruturas internas, programações sem sentido, letras de músicas incompreensíveis até mesmo para alguns crentes e vícios de linguagem, com vistas a não suprimir a cultura que nos cerca e, com isso, criarmos uma subcultura “gospel” que não consegue se comunicar fora das 4 paredes da igreja.
Não podemos mais permanecer inativos diante das demandas do nosso mundo. Não podemos fechar os nossos olhos para a realidade que nos cerca, nos trancando dentro das igrejas e cantando corinhos enquanto Jesus não volta.
A igreja tem em seu DNA a relevância. A mensagem da igreja é relevante para a cultura de qualquer época, mesmo a nossa. Mas muitas igrejas abandonaram esse aspecto, tornando seus cultos inacessíveis e seus pés engessados para a tarefa de alcançar o mundo que as cerca.
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Quais razões fazem com que tantas igrejas hoje, afetadas pela “numerolatria”, se empolguem apenas com templos lotados e cada dia mais bem decorados, sem questionar os motivos que fazem a cidade não ser transformada ?
Que Evangelho é esse que temos pregado, capaz de nos deixar em paz e relaxados, apesar de encontrarmos na porta de nossas igrejas crianças de 5 anos chorando de fome com mãos estendidas pedindo comida?
Que cristianismo é esse que zela pela doutrina e cuida da vida moral de seus adeptos, mas que não tem olhos para a senhora de roupa rasgada, aspecto sujo, revirando o lixo da pizzaria onde comemos após o culto, em busca de restos de comida que amenize sua fome?
Que paz de espírito é essa que gozamos, capaz de não nos inquietar com os dados da realidade a nos apontar que o uso de medicamentos antidepressivos, cocaína, crack e alcool não param de aumentar em todas as faixas da sociedade?
Nossa tarefa é zelar pelo evangelho e torná-lo compreensível para todos. Precisamos anunciar o quanto Jesus é relevante, doce, amável, salvador e transformador HOJE.
Se desejamos transformar nossa cidade, devemos pregar efetivamente o evangelho, buscando os pontos de contato com a cultura e o contexto a nossa volta.
Vivendo assim, vertical e horizontalmente, cumpriremos nossa vocação diante de Deus e diante do mundo.
Em Cristo,
Roberto de Assis
Twitter: @igrejamissional
E-mail: igrejamissional@gmail.com
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Avatar de Nathy DantasNathy Dantas em 05/26/2011 às 1:05
Texto incrível, parei pra pensar depois de ler…
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