Marta não estava errada por servir. Estava errada por imaginar que sua aceitação diante de Deus dependia do seu desempenho. Enquanto ela corria para fazer algo por Cristo, Maria descansava aos pés daquele que já faria tudo por ela. Esse é o coração do evangelho.
A teologia reformada nos lembra que Deus nunca nos recebe por causa das nossas obras, mas unicamente pela graça, mediante a fé em Cristo (Efésios 2:8-9). O serviço cristão é fruto da salvação, nunca a sua causa. Quando o ativismo substitui a comunhão, até as melhores obras podem revelar um coração que ainda tenta conquistar aquilo que Deus já concedeu gratuitamente em Jesus.
Marta acreditava que servir era prioridade. Jesus mostrou que a prioridade era estar com Ele. Porque antes de sermos servos úteis, somos pecadores alcançados pela graça. Antes de trabalharmos para o Reino, somos convidados a nos assentar diante do Rei.
Há uma grande diferença entre servir porque você foi amado e servir para tentar ser amado. O primeiro produz alegria, descanso e adoração. O segundo gera ansiedade, comparação e cansaço espiritual.
Que nunca percamos a “boa parte” escolhida por Maria: contemplar Cristo, ouvir Sua Palavra e descansar na suficiência da Sua obra. Somente quem aprende a permanecer aos pés da cruz encontra forças para servir sem transformar o serviço em um ídolo.
“Uma igreja ocupada nem sempre é uma igreja que está aos pés de Jesus. O verdadeiro discipulado começa na adoração e transborda em serviço.” (Lc 10:38–42)
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