A gratidão não é uma reação automática às bênçãos, é uma obra da graça no interior da alma.
O coração humano tende a se acostumar com os dons e a esquecer o Doador. Por isso, pedir um coração grato é pedir libertação da ingratidão silenciosa que corrói a fé. Não pedimos mais coisas, pedimos olhos espirituais para reconhecer que já recebemos mais do que merecíamos.
A gratidão nasce quando entendemos a soberania de Deus: nada chega às nossas mãos por acaso, tudo passa primeiro por Suas mãos. Até o que dói.
Até o que não entendemos. Um coração grato não nega o sofrimento, mas confessa que Deus continua sendo bom mesmo quando a vida não é fácil.
Paulo escreve: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5:18). Note: não é por tudo, mas em tudo. A gratidão cristã não depende das circunstâncias, ela depende da cruz. Ali aprendemos que Deus não nos poupou do sofrimento, mas nos garantiu redenção, presença e esperança.
Um coração grato é um coração humilde. Ele reconhece que a salvação é graça, o fôlego é graça, o pão diário é graça. Como disse Calvino, “não há nada em nós que não precise da misericórdia de Deus”. Por isso, quando o coração é grato, a alma descansa.
Senhor, não nos dê apenas mais bênçãos. Dá-nos um coração que saiba agradecer antes de pedir, confiar antes de entender e adorar antes de receber. Porque quem tem um coração grato já possui um tesouro que o mundo não pode tirar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário