Davi desejou construir uma casa para o Senhor, mas Deus disse que não seria ele quem levantaria o templo, porque havia derramado muito sangue e feito muitas guerras; essa missão ficaria para Salomão, seu filho. O que me chama atenção é o que Davi fez depois de ouvir o “não” de Deus: ele não cruzou os braços, não ficou ofendido, não disse “já que eu não vou fazer, então que Salomão se vire”. Pelo contrário, começou a preparar tudo para aquilo que outro construiria. Separou ouro, prata, bronze, madeira, pedras e a Bíblia faz questão de registrar um detalhe que facilmente passa despercebido: Davi preparou ferro em abundância até para os pregos das portas do templo. Até os pregos! Isso revela muito sobre o coração de alguém. Tem gente que só quer participar daquilo em que seu nome vai aparecer, só ajuda quando vai receber reconhecimento e perde o interesse quando percebe que outro ficará com a missão. Davi nos ensina o contrário. Ele não veria seu sonho realizado pelas próprias mãos, mas decidiu facilitar o caminho de quem Deus havia escolhido para realizá-lo. Talvez uma das maiores provas de maturidade seja continuar preparando com excelência aquilo que Deus decidiu que outra pessoa terminará. Nem todo propósito que passa pelas suas mãos termina nas suas mãos. Há sementes que você planta para outros colherem, caminhos que você abre para outros percorrerem e até “pregos” que você deixa preparados para uma construção que talvez nunca veja pronta. O “não” de Deus para Davi não o tornou inútil para o projeto; apenas mudou o lugar que ele ocuparia nele. Quem realmente ama a obra de Deus não precisa ser o nome da construção. Fica feliz até em ter preparado os pregos. 1 Crônicas 22:3, 7-10, 14-16.
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