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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

SEMPRE

 Desejos nem sempre se realizam. 


Pessoas nem sempre correspondem as expectativas. 

Sonhos nem sempre se concretizam. 

Projetos nem sempre terminam bem.


A vida insiste, muitas vezes, de acontecer em estado bruto; os dias alvorecem absurdos e perigosos. 


A realidade não é escrita sempre como comédia, mas como tragédia.


Somos tentados a desistir, jogar a toalha, fugir, emigrar, dissimular.

É que cansa adiar sonhos, ou tentar convencer-se de que “um dia tudo se acertará”.


A vida teima em pesar como fardo de algodão prensado e as vicissitudes gotejam feito os pingos que os chineses inventaram para torturar.

O dia a dia tem força de enlouquecer sem deixar doido.


Pouco a pouco, as mãos pesam, os pés se arrastam e sobra apenas sensação de desvalia.


Desesperança atrofia os músculos do sonhar e entreva a alma.


Mas eis que vem a esperança surgindo de dentro das gaiolas de ferro, dos subterrâneos soturnos, dos túneis engarrafados.


Esperança é grito sobrenatural (mágico, transcendental, milagroso) que explode de dentro de pessoas abatidas para fazê-las dizer: “vou em frente”.


Viver é luta e lutar, resistência.

Resistir é resiliência. 

Insistir, apesar de tudo, se conjuga no esperançar.


Esperança não promete como vai acontecer, mas cria rostos serenos e espaldas eretas; ela consegue calar quem repete “hei de vencer” e substitui por “não importa como vai acabar isso tudo, quero tão somente acabar em pé com sangue nos olhos”.

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