Havia um homem que por muitos anos dizia desejar um rebanho para cuidar. Sonhava com seu campo, seu aprisco e ovelhas confiadas às suas mãos. Mas o tempo passou, as portas não se abriram como ele esperava e ele foi cuidar de outras coisas. Até que um dia o dono de muitos campos o chamou, preparou-lhe um lugar, abriu a porteira e colocou diante dele um rebanho. Era aquilo que ele havia pedido por tanto tempo. No começo, o pastor se alegrava, cuidava, percebia quando alguma ovelha se afastava e conduzia o rebanho ao pasto. Mas vieram os dias difíceis. Outras tarefas começaram a ocupar seu tempo, outras coisas pareceram mais urgentes e o cajado foi ficando encostado. As ovelhas esperaram. Algumas se enfraqueceram, outras se perderam e algumas procuraram alimento em outros campos. Até que o rebanho começou a se espalhar. Um dia, o dono do campo voltou e perguntou: “Onde estão as ovelhas que coloquei em suas mãos?” O pastor falou das dificuldades, da falta de tempo e de tudo o que precisou fazer. Então o dono respondeu: “Eu não lhe perguntei o que ocupou suas mãos. Perguntei onde está aquilo que coloquei nelas.” Naquele dia ele entendeu que desejar um rebanho era muito diferente de cuidar dele. Porque chamado não é receber um campo, é permanecer nele quando cuidar exige renúncia. Há quem peça a Deus um aprisco, mas abandone o cajado quando o sonho vira responsabilidade. E no fim, o Dono do rebanho não perguntará quantas portas se abriram. Perguntará: “Onde estão as ovelhas que confiei a você?” “Ai dos pastores que apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” Ezequiel 34:2
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