Havia um poço no meio do deserto. Durante muitos anos, quem passava por ali encontrava água. Vinham cansados, feridos, sedentos, com seus cântaros vazios, e o poço servia a todos. Com o tempo, ficou conhecido, e enquanto havia água em abundância muitos permaneciam por perto, chamavam aquele poço de bênção e diziam que jamais o deixariam. Até que veio a escassez. Depois de tantos anos matando a sede de outros, o próprio poço começou a precisar de cuidado. Foi então que muitos desapareceram. Alguns ainda voltaram, lançaram seus cântaros, perceberam que já não poderiam enchê-los como antes e seguiram pelo deserto em busca de outro poço. Não perguntaram o que havia acontecido, não cuidaram da terra ao redor, apenas foram embora. Então o poço entendeu que Deus havia permitido aquele tempo para revelar o que a abundância escondia. Enquanto havia muita água, era difícil saber quem amava o poço e quem amava apenas aquilo que recebia dele. Mas a escassez provou os corações. Os verdadeiros permaneceram, os interesseiros seguiram adiante com seus cântaros. E o poço compreendeu que não precisava se tornar amargo, apenas sábio. Porque há desertos que Deus permite não para destruir você, mas para revelar quem está ao seu lado e quem só permanecia enquanto havia algo para receber.
“O crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o Senhor.” Provérbios 17:3
Nenhum comentário:
Postar um comentário