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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

DOR


A dor não tratada não fica no passado. Ela começa a interferir na forma como você enxerga o presente. Saul mostra isso claramente. Antes de Davi se tornar um problema para ele, Saul já estava em guerra por dentro. Quando Samuel o confrontou, Saul se justificou, transferiu responsabilidades e depois admitiu: “Temi o povo e dei ouvidos à sua voz.” 1 Samuel 15:24. Então Davi chega, serve, luta por Israel, toca harpa para Saul e não tenta tomar seu trono. Mesmo assim, a Bíblia diz: “E Saul tinha Davi em suspeita daquele dia em diante.” 1 Samuel 18:9. Davi não havia mudado. O olhar de Saul havia. É aqui que precisamos ter cuidado: às vezes não enxergamos as pessoas como elas são, mas através do que já vivemos. Quem foi rejeitado pode enxergar abandono. Quem foi traído pode procurar deslealdade. Quem foi ferido pode se defender até de quem nunca o atacou. O perigo começa quando a sensação vira certeza e o medo começa a parecer prova. Saul teve evidências de que Davi não queria destruí-lo. Davi poderia matá-lo e não matou. Mesmo assim, Saul continuou suspeitando. Quando a ferida governa o olhar, até a verdade diante dos olhos pode ser distorcida. Por isso, antes de concluir que estão fazendo com você de novo, examine se o que aconteceu pertence realmente ao presente ou se alguma coisa antiga foi tocada dentro de você. Nem toda correção é rejeição, nem toda mudança é abandono, nem toda discordância é deslealdade. Às vezes o maior perigo não está no que estão fazendo conosco, mas no que aquilo que já vivemos está fazendo com a nossa maneira de enxergar. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração.” Provérbios 4:23.


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