O passado judiou tanto de você que algumas feridas continuam abertas. E quando a ferida não fecha, você começa a achar que todo mundo vai ferir também. Então interpreta silêncio como rejeição, correção como ataque, distância como abandono e crescimento de alguém como ameaça. Saul fez isso com Davi. Davi não tinha tomado nada dele, mas Saul estava tão ferido por dentro que passou a enxergar inimigo onde havia fidelidade. “E, desde aquele dia em diante, Saul não via Davi com bons olhos.” 1 Samuel 18:9.
Mas existe algo ainda mais profundo: falta de identidade. Quando você não sabe quem é, vive se diminuindo, se comparando, tentando provar valor e disputando lugares que Deus nunca mandou disputar. Os dez espias tinham promessa, tinham Palavra e tinham Deus, mas disseram: “Éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos.” Números 13:33. A promessa não tinha diminuído. Eles é que tinham se diminuído diante dela.
É isso que a ferida faz quando encontra uma identidade quebrada. Você começa a punir pessoas do presente pelo que fizeram com você no passado. Sangra em quem não te feriu. Desconfia de quem não te traiu. Se fecha para quem não te abandonou. E ainda acredita que está apenas se protegendo.
Quem não entende filiação vive em conflito, porque acha que precisa competir, se defender e provar que merece estar ali. Mas filho não precisa disputar lugar na casa do Pai.
O filho pródigo voltou dizendo: “Já não sou digno de ser chamado teu filho.” Lucas 15:19. Mas o pai ainda o recebeu como filho. A dor tinha mudado a forma como ele se enxergava, mas não tinha mudado sua filiação.
Talvez Deus já tenha dito quem você é, mas você ainda esteja vivendo pelo que fizeram com você. Pare de sangrar no presente por causa do passado. Pare de se diminuir diante da promessa. Você não é a rejeição que sofreu, nem o abandono que viveu. Em Cristo, você é filho.
“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” Gálatas 4:6
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