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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

MOVIMENTO

Ser uma pessoa calma é uma meta muito especial. Com calma tudo vai para o seu devido lugar. Há pessoas que, diante de um imprevisto, começam pelo que pode ser feito. Recolhem o que caiu, escutam a informação necessária, procuram ajuda. O movimento continua, mas sem acrescentar desespero ao que já é difícil. Essa calma nem sempre corresponde ao que sentem por dentro. Talvez o coração esteja acelerado e haja medo. A diferença aparece no cuidado com o próximo gesto. Aprendemos a serenidade quando deixamos de exigir que toda emoção se transforme imediatamente em ação. Podemos sentir irritação e ainda escolher a palavra, reconhecer a urgência e evitar uma decisão precipitada. Isso não acontece apenas pela força da vontade. Descanso, companhia e condições menos exigentes também fazem diferença na maneira como atravessamos o dia. Conhecer nossos limites é parte dessa aprendizagem. Às vezes, a atitude mais responsável é admitir que precisamos de uma pausa ou de alguém que nos ajude a pensar. Deus não espera que controlemos tudo para nos oferecer amparo. Na oração, podemos apresentar o que está desordenado e encontrar um espaço onde a pressa não determina a resposta. Aos poucos, distinguimos aquilo que depende de nós do que precisa ser aguardado. A calma permite agir com mais clareza dentro dessa medida. Ela pode estar na conversa em que ouvimos antes de concluir, na tarefa realizada com atenção, no limite explicado sem gritar. Há firmeza nesses gestos, mesmo quando a voz permanece baixa. Também haverá ocasiões em que perderemos o equilíbrio e precisaremos reparar o que fizemos. O amadurecimento inclui esse retorno, feito com honestidade. A serenidade vai ganhando lugar na vida comum, entre compromissos e acontecimentos que não escolhemos. E o coração descobre que pode participar do mundo sem repetir toda a sua agitação, levando um pouco de cuidado até mesmo aos momentos que pedem rapidez. 

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