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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

SEGUROS


"Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei jamais abalado" (Sl 62.6).

 A existência do homem caído é uma subsistência. É algo quase que como uma miragem que, unicamente pelo poder de Deus, se materializa por pouquíssimo tempo. Daí encontrarmos nas Escrituras referências à existência humana como um “sopro” ou “sombra” (Sl 144.4), “neblina” (Tg 4.14) ou “pensamento” (Sl 90.9). Assim, ao mesmo tempo existimos, mas não existimos, se considerarmos o ponto de vista da eternidade. A vida só existe na eternidade, pois é um status que exclui morte. Foi aquilo criado originalmente por Deus. O Senhor, Deus Criador, é incapaz de criar algo para a morte. Ele é vida, fonte de toda existência. Por isso, foi a desobediência que trouxe a morte e todas as separações, sofrimentos e imperfeições, à Criação de Deus.

Essa condição do homem caído de “mortos-vivos”, existindo apenas no corpo, mas morto de alma, faz com que o ser-humano acredite que viva, como se a morte não o alcançasse, como se fosse eterno. Mesmo tendo a morte como inimigo inescapável, vive tranquilamente. Essa é uma confusão quanto ao seu próprio ser, pois, de fato, há algo nele que é eterno: a alma. Assim, podemos dizer que o homem pensa como eterno, embora seja mortal e pecador. Daí o terror, o choque de realidade para o não-salvo, quando morre um ente querido. Contudo, no caso do eleito, no momento que se conhece a Jesus como Senhor e Salvador, descortina-se diante do convertido o conhecimento da sua real condição e o que é verdadeiramente vida. Percebe a vertigem do estado humano caído, como que andando em uma encosta muito íngreme que, em algum momento, se não fosse a intervenção divina, não seria capaz de se segurar por mais tempo e despencaria para o inferno sem fim.

Enquanto os ímpios podem ser descritos como paredes pendidas, como caminhantes em penhas escorregadias, o cristão autêntico é o que está firmemente baseado na rocha. Caminha altaneiramente mesmo enfrentando as maiores dificuldades, como a corça que corre pelas encostas rochosas (Hc 3.19). É provável que jamais houve na cristandade uma época como a nossa, quando se tem uma fé "material". Certamente está diretamente ligada ao consumismo e ao materialismo reinantes em nossa sociedade. A expectativa do ser-humano deixou de ser a eternidade com Deus e transformou-se no desejo do auxílio divino para as causas referentes a esta vida. Assim, busca-se em Deus, tão-somente, a cura, o emprego e coisas tais, mais do que isso, projeta-se em Deus todas as cobiças pessoais na esperança de que ele venha a concretizá-las. Acima de qualquer dúvida, a obra de Cristo mira conceder-nos salvação eterna, não as alegrias que a presente existência pode dar.

No entanto, isso está longe de dizer que sua obra não se aplica a essa vida. É curioso observar como Davi constrói sua argumentação no verso epigrafado. Ele ladeia "salvação" com as ideias de "rocha" e de "alto refúgio". A salvação tem um papel importantíssimo para o crente, visto exatamente nos termos colocados equivalentes à salvação. Na verdade, com eles percebemos como a salvação se manifesta na vida de um escolhido, o que ela resulta. O conceito de "rocha" nas Escrituras traduz o sentido de "firmeza". Isso significa que a fé verdadeira produz o efeito indelével de capacitar o pecador redimido a resistir a todas as dificuldades da vida. Em Deus ele encontrará forças para manter-se firme e inabalável, mais que isso, terá forças e disposição para buscar e adorar ao Senhor mesmo em meio às maiores dificuldades. O avanço das propostas e soluções humanas para o sofrimento mostra a tendência do pecador de olhar mais para si do que para Deus, de fazer as coisas a seu próprio modo. Até o sofrimento tem se mostrado insuficiente para fazer com que mesmo aqueles que compõem o povo de Deus olhem exclusivamente para Deus.

Buscar ao Senhor simplesmente para a concretização de desejos pessoais ou para a solução de problemas de ordem física ou material é errar o alvo. O que tem tal tipo de fé falsa jamais estará preparado para resistir aos problemas dessa vida: “Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre” (Sl 125.1). Ser um salvo significa estar preparado para os sofrimentos e as dificuldades da vida. É um dos indeléveis efeitos da fé verdadeira na vida do salvo. Quanto à expressão "alto refúgio", destaca o sentido de "segurança". Em Cristo nos sentimos seguros mesmo nas maiores tormentas. Lembro-me do impacto que irmãos moravianos causaram em John Wesley quando, em uma travessia do Atlântico, cantavam serenamente louvores a Deus em meio à enorme tempestade no mar.

Não há maior ocasião de testemunho para o cristão que o seu próprio sofrimento, momento de mostrar a enorme diferença que Cristo faz na vida de um eleito. Vivemos época em que toda fraqueza é estimulada como "normal" e aceitável à vida do crente. Deus tem para nós uma vida exuberante de fé, confiança, firmeza, segurança e paz. Entregue-se e creia! Passe por cima de seus problemas e tribulações! Não olhe para eles; olhe para Cristo! Deus te segura pela mão e te conduz firmemente. Estamos nas poderosas mãos do Senhor. Quem poderá nos tirar dali? Tenha um excelente dia na companhia de Jesus 

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