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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

ZACARIAS

 Segundo o costume do sacerdócio, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso.” Assim a Almeida Revista e Corrigida, revisão de 1898, traduz Lucas 1.9.


O versículo responde a quem acha que a própria vida é feita só de dias repetidos: a hora rara existe, e às vezes chega depois de décadas de turno comum, sem aviso e sem mérito de quem a recebe.


Zacarias era sacerdote da turma de Abias, uma das 24 escalas que se revezavam no templo de Jerusalém. Cada turma servia duas semanas por ano. Ele e a mulher, Isabel, eram velhos e não tinham filhos.


Lucas apresenta o casal como justo e sem queixa diante da Lei. Mesmo assim, os dois carregavam a vergonha que a época jogava sobre o casal estéril. Isabel a nomeia mais adiante, em Lucas 1.25: “a minha vergonha entre os homens”.


Naquela semana, a turma de Abias estava de serviço. De manhã, os sacerdotes se reuniam numa sala do pátio para repartir as tarefas do dia. Ninguém escolhia o próprio posto, e ninguém sabia de véspera o que faria.


O verbo de Lucas é élache (recebeu por sorteio). Zacarias não se ofereceu nem foi indicado pelo chefe da turma. A tarefa caiu na mão dele pela mesma via que decidia quem limpava o altar e quem carregava a lenha.


Só que a tarefa sorteada naquela manhã pesava mais que as outras. Era entrar sozinho no Santo, a sala coberta do templo, e queimar incenso no altar de ouro diante do véu. Lá fora, segundo Lucas 1.10, o povo orava.


E uma regra deixava esse sorteio diferente dos outros. Quem já tinha queimado incenso uma vez não entrava mais na disputa. A chance de Zacarias, depois de anos subindo a Jerusalém com a turma, era também a última.


A faixa I mostra como o sorteio funcionava, em que livro a regra ficou escrita e quantos sacerdotes disputavam aquela entrada única.

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