Preocupo-me quando vejo líderes alegrando-se com os que choram e celebrando a queda alheia com palavras torneadas por uma falsa espiritualidade. Preocupo-me quando vejo que em nossas vidas ministeriais há pouco lugar para sinceros relacionamentos. Preocupo-me quando nos cercamos de seguidores e até mesmo alguns admiradores mas não contamos com ao menos três amigos chegados e sinceros que possam nos alertar no dia mal. Preocupo-me quando desenvolvemos um estilo de liderança ou pastoreio onde não precisamos prestar contas a ninguém. Preocupo-me quando, prostrados, não podemos confiar nos colegas de ministério que nos cercam para abrirmos o coração, receosos de que isto um dia seja usado contra nós. Preocupo-me quando o mundo age com mais graça e misericórdia com o caído do que a Igreja. Preocupo-me com os relacionamentos.
Normalmente tratamos as pessoas de acordo com aquilo que pensamos sobre elas. E a verdade é que, invariavelmente, desconhecemos aqueles que nos cercam. Desconhecemos suas ansiedades e frustrações, sonhos e esperanças, histórias e paixões.
De certa forma é mais fácil desenvolvermos um caráter íntegro no horizonte da nossa alma do que nos relacionamentos.
Neste universo relacional o maior desafio é amar o diferente. Creio que amar o próximo é um grande passo pelo fato de sermos naturalmente intolerantes com todo aquele que pensa, fala e age diferente de nós. Tornamo-nos, inconscientemente, o paradigma para todo homem. E, assim, o próximo se transforma em um ser difícil de ser amado.
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