Vejo Deus nos detalhes da natureza, na bondade das pessoas, do amor que se multiplica e na esperança que nos faz construir o hoje e o amanhã. Sou grato por incontáveis milagres do cotidiano. Sem dúvida, os milagres diários costumam chegar sem alarde. Não fazem barulho, não exigem plateia, não se apresentam como acontecimentos grandiosos. Muitos deles passam escondidos no cuidado simples que nos alcança, na paz que visita o coração depois de uma noite difícil, no alimento posto à mesa, na palavra certa recebida no instante necessário. É preciso estar atento, porque Deus gosta de se revelar nos detalhes. A fé educa o olhar para perceber o sagrado onde a pressa só enxerga rotina. Há muito de Deus no sorriso de quem acolhe, na mão que ajuda, no silêncio que consola, na força que surge quando pensávamos não conseguir mais. O cotidiano está cheio de sinais discretos, mas nem sempre estamos vestidos de presença para percebê-los. Vivemos, muitas vezes, correndo atrás do extraordinário, enquanto a graça se oferece no comum. O milagre nem sempre muda a paisagem de fora. Às vezes muda a disposição interior com que olhamos a mesma paisagem. Uma esperança que retorna já é milagre. Um perdão que amadurece já é milagre. Um coração que encontra paz no meio da luta já é milagre. Deus não precisa suspender as leis da vida para nos tocar. Ele nos toca também dentro delas, com delicadeza, constância e amor. O domingo da alma acontece quando paramos para reconhecer essa presença. Então a vida simples se ilumina. A respiração vira dom, o encontro vira bênção, o silêncio vira oração. Quem se veste de fé não se torna ingênuo diante das dificuldades, mas aprende a perceber que a bondade divina continua atravessando os dias. E quando o olhar se torna mais atento, descobrimos que não faltam sinais. Falta, às vezes, desacelerar o coração para enxergar o quanto Deus permanece perto, escondido na beleza humilde de cada detalhe.
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