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domingo, 14 de junho de 2026

RELACIONAMENTOS


“E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gl 2:4).

 Um dos maiores perigos que ronda a igreja de Cristo é a existência de falsos crentes. Isso impõe cautela e critério nos relacionamentos mesmo dentro das igrejas, para evitar falsos irmãos. Até o verso três, o apóstolo Paulo se limitou a simplesmente narrar os fatos, construindo uma base histórica para aquilo que afirmaria na defesa de seu evangelho e apostolicidade. Agora, no verso quatro, ele começa e emitir juízos de valor, a adjetivar literalmente aqueles contra os quais combatia. Assim, depois de falar de sua conversão ainda no capítulo um, de sua ida ao concílio de Jerusalém aqui no capítulo dois, finalmente está pronto para demonstrar a falsidade de seus oponentes.

 Na língua grega percebe-se com clareza que a ênfase de Paulo aqui é naquilo que é falso. Ele utiliza três termos que trazem implícito esse significado. Além da expressão: “falsos irmãos”, que traduz uma única palavra na língua grega, há outro termo cujo significado não fica claro em nossa tradução que os qualifica, que tem como significado “possuir falsas pretensões”. Portanto, não só esses supostos irmãos são falsos, mas também aquilo que alegam, seus objetivos. Além disso, o termo traduzido por “espreitar” em nossa tradução implica também um objetivo maligno, malicioso, falso.

 Dessa forma, como já indicamos, após longa narrativa com o objetivo de construir uma base histórica sólida para sua argumentação, o apóstolo parte para o contra-ataque. Entendamos que essa base sólida, histórica, para suas afirmações, é tão somente, o anúncio da verdade dos fatos. É aquilo que já falamos nos versos anteriores, a lógica do raciocínio de Paulo: “contra fatos, não há argumentos”. Em toda argumentação é necessário alcançar o convencimento. É preciso esforço para cativar o público com a verdade dos fatos.

 Os falsos irmãos, citados no texto, valiam-se de argumentação falsa e mentirosa. No entanto, já vimos anteriormente que nada possui a força da verdade. A verdade se confunde com a realidade. Uma narrativa histórica, ou seja, narrar fielmente um acontecimento, é contar a realidade que se viveu, que se experimentou. Porém, algo curioso que deve ser lembrado é que “História” não é considerada ciência. A história não é algo que possa ser comprovado cientificamente, pois não pode ser confirmada, repetida em laboratório, para que sua veracidade seja testada e confirmada. Toda narrativa ocorre sob suspeitas, por causa da facilidade criadora daquele que a conta. Uma narrativa, mesmo que da verdade, pode ser facilmente modelada, reconstruída, de forma a beneficiar ou exaltar alguém. Como é impossível confirmar um testemunho cientificamente, ele é julgado com base em algumas evidências, se se enquadra ou não à lógica dos acontecimentos.

 É aí que a verdade se destaca. Como fato, como realidade, a realidade tem a força da existência! Foi aquilo que realmente ocorreu. O poder da verdade está na convicção, na certeza da realidade. Por isso, quem anuncia a verdade tem que o fazer expressando a verdade dos fatos, não de forma tímida, mas de maneira incisiva. É o que o apóstolo Paulo está fazendo! Proclamando a verdade dos fatos, com inteiro destemor, por ser exatamente a verdade dos fatos!

 Entendamos que a igreja sempre conviveu com falso irmãos. Essa é a primeira expressão da realidade que o apóstolo destaca: há falsos irmãos! Já em seu ministério, nosso Senhor mostrou essa realidade por meio de uma parábola:

O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes (Mt 13.47-50).

 Jesus alertou seus discípulos quanto ao poder de atração do Reino de Deus. A Igreja é sua principal manifestação, a mais importante e atuante agência do Reino. Muita gente é atraída à igreja, mas com as mais diversas motivações. Apenas a convicção de servo, de alguém que quer servir eternamente a Cristo por causa da tão grande salvação que recebeu, a liberdade da condenação da Lei referida em nosso verso, não a cura, a solução do problema financeiro ou qualquer outra expectativa relativa a esta terra; apenas o servir a Deus pela salvação recebida! Somente esse é o motivo legítimo para alguém ser membro da igreja de Cristo.

Nós nos acostumamos a chamar e reconhecer a todos que confessam a Cristo como irmãos. Tenhamos cuidado! Há falsos irmãos! Não se permita ser influenciado por eles! A realidade experimentada pelas igrejas da Galácia, os destinatários desta epístola de Paulo, estavam sofrendo exatamente isso! Não pregavam abertamente contra Cristo e se apresentavam como “irmãos”! Pior do que isso! Reparemos a ousadia de tais pessoas! A narrativa do verso quatro possivelmente se refere ao Concílio de Jerusalém. Esses falsos irmãos tentam influenciar a liderança da igreja tentando introduzir compreensões errôneas, mesmo diabólicas, para corromper a verdade. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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