Gênesis 13.12, Gênesis 14.12 e Gênesis 19.1
A queda de Ló não aconteceu em uma noite.
Ela aconteceu em etapas.
Primeiro ele armou suas tendas em direção a Sodoma. Depois passou a morar em Sodoma. Por fim, estava sentado à porta de Sodoma.
A porta da cidade não era um lugar comum. Era o centro das decisões. Era onde os juízes se assentavam. Onde os líderes eram vistos. Onde as vozes influentes eram ouvidas.
Ló chegou a um lugar que nunca deveria ter ocupado.
Tudo começou quando ele levantou os olhos para a campina do Jordão. Ele viu prosperidade. Viu oportunidade. Viu crescimento. Mas não avaliou o ambiente espiritual que cercava aquela promessa aparente.
A Bíblia faz questão de avisar que os homens de Sodoma eram grandes pecadores contra o Senhor.
O alerta estava diante dele.
Mas a atração falou mais alto que o discernimento.
Existe uma verdade perigosa nesse texto.
Ninguém se torna representante de Sodoma da noite para o dia.
Primeiro se aproxima.
Depois se acostuma.
Depois defende.
O que antes causava indignação passa a ser tolerado. O que era tolerado passa a ser normalizado. O que era normalizado passa a ser promovido.
Esse é o ciclo.
Ló caminhou ao lado de Abraão, mas nunca vemos Ló levantando um altar.
Ele queria as bênçãos da aliança, mas não cultivava a intimidade da aliança.
Muitos querem a prosperidade de Abraão, mas não desejam o altar de Abraão.
E esse continua sendo o grande problema da nossa geração.
Há pessoas que não estão em Sodoma apenas por causa do lugar onde vivem.
Estão em Sodoma porque aprenderam a admirar aquilo que Deus condena.
O maior perigo não é quando o mundo entra na igreja.
O maior perigo é quando a igreja começa a pensar como o mundo.
Ló não perdeu sua vida em Sodoma.
Perdeu algo ainda mais perigoso.
Perdeu sua capacidade de perceber o quanto havia se afastado.
Porque a pior cegueira espiritual não é deixar Deus.
É continuar acreditando que está perto dele enquanto já se tornou parte daquilo que Ele está prestes a julgar.
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