Às vezes um empate fica bem para mim.
Vale não querer ganhar nada e não precisar convencer ninguém sobre coisa alguma.
Acordo cedo e apago logo os sonhos da madrugada.
Não quero alongar os sonhos para viver sem perseguir ideais; basta a realidade miúda e crua do dia que está por vir - e gastar esse dia sem vontade de empreender, expandir ou cravar estacas.
É bom não sentir o imperativo de suar a camisa com a intuição de que o ócio não deve ser criativo.
Contemplo o por do sol sem a culpa de não ter cumprido o propósito que me deram quando nasci - descarto o mandado de completar roteiro, seja secular ou divino.
Como é bom dormir a hora que desejar sem o jugo de balbuciar: “missão cumprida”.
Não anelo que minha existência fique marcada por tarefas bem o mal sucedidas.
Às vezes é bom sentir-se inútil, desprezível e descartável para sentir- se livre e afirmar: “me bastou ser, apenas ser”.
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