Total de visualizações de página

quarta-feira, 15 de julho de 2026

EMPATE

 Às vezes um empate fica bem para mim. 


Vale não querer ganhar nada e não precisar convencer ninguém sobre coisa alguma.


Acordo cedo e apago logo os sonhos da madrugada. 


Não quero alongar os sonhos para viver sem perseguir ideais; basta a realidade miúda e crua do dia que está por vir - e gastar esse dia sem vontade de empreender, expandir ou cravar estacas.


É bom não sentir o imperativo de suar a camisa com a intuição de que o ócio não deve ser criativo.


Contemplo o por do sol sem a culpa de não ter cumprido o propósito que me deram quando nasci - descarto o mandado de completar roteiro, seja secular ou divino.


Como é bom dormir a hora que desejar sem o jugo de balbuciar: “missão cumprida”.


Não anelo que minha existência fique marcada por tarefas bem o mal sucedidas.


Às vezes é bom sentir-se inútil, desprezível e descartável para sentir- se livre e afirmar: “me bastou ser, apenas ser”.


Nenhum comentário:

Postar um comentário