Ele não saiu de casa porque faltava alguma coisa. Saiu porque deixou de reconhecer o valor do que já tinha. Tinha pai, tinha nome, tinha mesa, tinha proteção, mas começou a desejar uma vida onde ninguém pudesse corrigi-lo. E esse é o perigo. Tem gente que chama de liberdade o afastamento de tudo o que poderia preservar sua alma. No começo, parece escolha. Depois vira perda. O filho pródigo gastou o que recebeu, perdeu as companhias, perdeu a dignidade e terminou desejando a comida dos porcos. O pecado sempre promete uma vida melhor, mas cobra caro. Primeiro ele rouba a direção, depois a paz, depois a identidade. Mas naquele lugar ele caiu em si. E cair em si também é misericórdia, porque pior do que estar longe é continuar longe sem perceber. Ele se levantou sem exigir nada. Voltou arrependido, disposto até a ocupar o lugar de empregado. Mas o pai correu, abraçou, colocou roupa nova, anel e sandálias. Porque quando o arrependimento é verdadeiro, Deus não apenas recebe de volta. Ele restaura o que a distância tentou apagar. Cuidado para não precisar perder a mesa para sentir falta da casa. Ainda existe caminho de volta, mas é preciso reconhecer, levantar e voltar.
Lucas 15:11-24
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