Do primeiro dia em que tomamos ar pela primeira vez, no nascimento, à última despedida, na morte, nos nivelamos no esforço de lidar com o mistério da existência; somos uma só família.
Buscamos atar as pontas soltas do passado que se recusa a ir embora e nos esforçamos em amenizar a culpa cristã que nos avisou (erroneamente) que ninguém presta.
A gente tenta cambiar a pulsão de morte em força criativa - morreremos antes.
E aí, nossa história, marcada por tropeços, riscada de cicatrizes, respingada de lágrimas, entupida de complexidades, será curta demais para nos resolvermos.
Por enquanto, basta parecer um vitral, do modo como Fabrice Hadjad o descreveu:
“Vitral traz em si a imagem da vida interior. Visto de fora ele é opaco e fosco, contemplado de dentro, reconhece o sol e se colore de uma centena de matizes. É desta forma toda vida profunda: a superfície não reflete nada e até parece sem brilho, mas é profunda porque, transparente à luz, se deixa penetrar até o fundo”. - Brilha em mim, sol da justiça, pois almejo ser vitral no alto de uma catedral.
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