Há uma casa que não foi feita de tijolo ou pedra,
um refúgio moldado em curvas, traços e fendas.
É a fronteira sutil entre eu e o mundo lá fora,
o único abrigo que me acolhe e me demora!
A pele que habito guarda tempestades e sol,
desenha em cicatrizes o mapa do meu farol...
É véu sensível que sente o vento e a dor,
mas também o arrepio do primeiro amor!
Tem a cor da minha história, o tom da minha origem,
carrega os vestígios de onde os meus passos saíram…
Muda com o tempo, dobra-se ao peso da idade,
revelando em cada marca a sua própria verdade!
Não é só moldura, nem mero disfarce de carne e osso,
é o palco onde o sentir se faz silêncio e alvoroço.
É o templo onde a alma decide ficar,
o chão seguro que me ensina a pertencer e estar!
Habitar-se é arte, aceitar cada pedaço e contorno,
saber que este corpo é o meu único porto e retorno.
Pois antes de ser do mundo, de qualquer olhar ou lugar,
sou a pele que habito, e o templo que aprendi a ama
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