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quinta-feira, 23 de julho de 2026

SENTIR


Há uma casa que não foi feita de tijolo ou pedra,

um refúgio moldado em curvas, traços e fendas.

É a fronteira sutil entre eu e o mundo lá fora,

o único abrigo que me acolhe e me demora!


A pele que habito guarda tempestades e sol,

desenha em cicatrizes o mapa do meu farol...

É véu sensível que sente o vento e a dor,

mas também o arrepio do primeiro amor!


Tem a cor da minha história, o tom da minha origem,

carrega os vestígios de onde os meus passos saíram…

Muda com o tempo, dobra-se ao peso da idade,

revelando em cada marca a sua própria verdade!


Não é só moldura, nem mero disfarce de carne e osso,

é o palco onde o sentir se faz silêncio e alvoroço.

É o templo onde a alma decide ficar,

o chão seguro que me ensina a pertencer e estar!


Habitar-se é arte, aceitar cada pedaço e contorno,

saber que este corpo é o meu único porto e retorno.

Pois antes de ser do mundo, de qualquer olhar ou lugar,

sou a pele que habito, e o templo que aprendi a ama

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